Habeas corpus de Temer e Moreira Franco só serão julgados na quarta

  • Por Rafael Iglesias/Jovem Pan
  • 22/03/2019 16h09
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDOEx-presidente e ex-ministro foram presos na quinta-feira

O pedido de liberdade feito por advogados de Michel Temer e Moreira Franco só serão julgados na próxima quarta-feira (27) pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que confirmou a informação. A decisão não será monocrática e o caso será avaliado por três ministros que compõem a 1ª Turma Especializada da Corte.

A previsão era que os dois pedidos de habeas corpus fossem julgados ainda nesta sexta (22) pelo desembargador Ivan Athié, a quem a relatoria foi distribuída. O ex-presidente da República e ex-ministro de Minas e Energia, que também foi governador do Rio de Janeiro, foram presos na quinta (21) em desdobramento da Operação Lava Jato.

A 1ª Turma do TRF-2 é formada, além de Athié, por Abel Gomes e o juiz federal convocado Vlamir Costa, que está substituindo Paulo Espírito Santo em período de férias. Temer é acusado pelo Ministério Público Federal de chefiar organização criminosa por pelo menos 40 anos. Moreira Franco seria seu operador, negociando propinas.

Operação Descontaminação

Temer, Moreira Franco e outras oito pessoas foram detidas durante a Operação Descontaminação, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro. Nesta sexta-feira (22), o ex-presidente foi levado à Polícia Federal para prestar depoimento. O inquérito apura atos de corrupção a partir de delação de empresário da construtora Engevix.

Entre os alvos, estava também João Batista Lima Filho, o coronel Lima, que tentou esconder dois celular embaixo de almofada do sofá de sua casa quando recebeu voz de prisão. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público, Temer teria recebido R$ 1,1 milhão pelo empreiteiro José Antunes Sobrinho, ligado à Engevix.

O ex-presidente também seria o líder da organização criminosa que teria movimentado R$ 1,8 bilhão, conforme indiciou em decisão o juiz Marcelo Bretas. Michel Temer é o segundo ex-presidente brasileiro preso. Luiz Inácio Lula da Silva foi detido em 7 de abril do ano passado, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.