Ilan: minha contribuição no BC será mais efetiva se eu estiver neutro à política

  • Por Estadão Conteúdo
  • 20/04/2018 18h47
Marcelo Camargo/Agência Brasil"O Banco Central tem que ter o seu papel neutro para ajudar a economia no momento de transição", afirmou presidente do Banco Central
Participando de reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, foi questionado sobre a possibilidade de permanecer no cargo caso o próximo presidente da República o convide a continuar no posto a partir do início de 2019. A pergunta surgiu devido a uma declaração do pré-candidato a presidente pelo PSL, deputado federal Jair Bolsonaro, que disse não ter problemas em mantê-lo na posição, inclusive porque Paulo Guedes, seu futuro ministro da Fazenda caso seja eleito, gosta dele.

“O Banco Central tem que trabalhar com qualquer cenário, com qualquer partido. O Banco Central tem que ter o seu papel neutro para ajudar a economia no momento de transição. Minha contribuição no BC e dos diretores é mais efetiva se eu conseguir me manter o mais neutro possível a questões partidárias e políticas”, afirmou Ilan.

Câmbio

Goldfajn afirmou que “o papel do BC é dar tranquilidade, evitar volatilidade além da conta, excessiva, sem ligação com fundamentos”, ao referir-se sobre o câmbio. Ele comentou na quinta-feira, 19, em entrevista à TV Bloomberg que a autoridade monetária tem instrumentos para atuar em relação a este preço relativo, caso seja necessário, num contexto de variação excessiva da cotação da moeda brasileira frente à divisa americana.

“Temos um cenário básico de que a economia está se recuperando e a inflação caindo. O cenário internacional ainda é benigno”, destacou Goldfajn. “Mas aparece alguma volatilidade incipiente no mercado financeiro, que começou com o temor de alta da inflação nos EUA e depois veio com disputas comerciais”, apontou, referindo-se a tensões envolvendo os governos de Washington e Pequim sobre aquele tema.

Segundo o presidente do BC, o Brasil está preparado para enfrentar um processo mais forte de incertezas nos mercados internacionais, pois o País tem muitos “amortecedores” para conter volatilidade de ativos financeiros. “Estamos bem, temos reservas elevadas, swaps cambiais baixos e pequeno déficit de contas correntes”, destacou. “Temos também no nosso sistema de metas de inflação espaço, pois a inflação está abaixo da meta”, apontou.

“Temos um sistema financeiro robusto, capitalizado e resiliente”, disse Goldfajn, acrescentando que o papel do BC é dar tranquilidade, evitar volatilidade além da conta, excessiva, sem ligação com fundamentos da economia. “Temos um seguro adquirido há alguns anos que são reservas elevadas e swaps menores.”

Ao ser perguntado sobre como o atual patamar de câmbio é analisado pela gestão da política monetária no Brasil, Ilan Goldfajn destacou que é uma variável importante como outras que são consideradas nas previsões do BC. “Nas nossas projeções, estão vários fatores, como energia elétrica, petróleo, alimentos O câmbio também é um preço que a gente olha e avalia a mudança ao longo do tempo. Agimos com o câmbio se ele afeta os preços da economia.”