Impeachment é um trauma para o país, considera Alckmin

  • Por Jovem Pan
  • 30/07/2015 07h58
Geraldo Alckmin no Jornal da Manhã

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan desta quinta-feira (30), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), afirma que, principalmente em momento de crise ética, o fundamental é investigar as acusações contra a presidente Dilma Rousseff, mas ressalta que é necessário embasamento. “Você não substitui governo por incompetência, por recessão, você substitui por crime”, diz.

O tucano, que adota posicionamento mais moderado dentro do PSDB, considera que o impedimento de Dilma não é a saída mais viável. “O impeachment é um trauma para o país”, e completa, “precisamos zelar pela democracia”.

O governador também destaca que a adoção do sistema parlamentar, uma das possibilidades propostas, não é viável no Brasil atual porque exige partidos fortes. “São 32 partidos e mais quase 30 que vão sair do papel. Enquanto não fizer uma reforma política com fidelidade partidária, é impossível um parlamentarismo com essa fragmentação partidária”, analisa.

Manifestação

Alckmin se posiciona a favor dos protestos não por serem antigoverno, mas por considerá-los parte fundamental da democracia. “Eu entendo que a manifestação não só não é golpista como é legítima, não é nenhum favor do governo aceitar, é um direito”, defende.

No dia 16 de agosto, os movimentos a contra a presidente realizarão uma marcha na capital paulista e o governador, que já se mostrou não favorável ao impeachment nas atuais circunstâncias, prefere a cautela e deixa o posicionamento a cargo do partido. “A questão do envolvimento partidário é uma decisão da direção do partido”, responde.

Encontro com Dilma

Na tarde desta quinta, o governador paulista se reúne com a presidente Dilma e os outros 26 líderes estaduais em Brasília. De acordo com Alckmin, a discussão abordará governabilidade e assuntos econômicos. No entanto, ele adianta que intenciona inserir outro tema no encontro. “pretendo incluir na pauta a defesa do emprego”, conta ao destacar o investimento em infraestrutura e logística como principal gerador de emprego e produtividade.

Para ele, a decisão do governo de realizar uma só reunião com todos os estados prejudica a objetividade. “Até achava que a reunião seria regionalizada, mas é uma decisão do governo federal”, pondera.