Insatisfeitos com anúncio do governo, caminhoneiros cogitam greve em maio

  • Por Jovem Pan
  • 16/04/2019 17h22
Zanone Fraissat/FolhapressCaminhoneiros dizem que não querem dinheiro, mas melhores condições de trabalho; 21 de maio é data discutida para nova greve

O pacote de medidas anunciado nesta terça-feira, 16, pelo governo para ajudar os caminhoneiros não agradou a todos. O plano foi visto como uma “cortina de fumaça” por alguns grupos de profissionais do ramo, que cogitam, inclusive, fazer uma nova greve em maio.

O governo informou que vai investir R$ 2 bilhões em rodovias e liberar R$ 500 milhões de crédito aos motoristas, por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, essencialmente para manutenção dos veículos. Em grupos de Whatsapp, porém, os trabalhadores afirmam que não estão pedindo dinheiro, mas, sim, melhores condições de trabalho. Caso a situação não melhore, um novo protesto será marcado dia 21 de maio, exatamente um ano depois da greve que paralisou o país.

Nas discussões, eles afirmam que soluções como a linha de crédito para manutenção do caminhão, com taxas menores, já foi testada em outras ocasiões, mas não são colocadas em prática. Eles citam o cartão-caminhoneiro para compra de combustíveis, que não funciona para todo mundo.

A grande reclamação é que a situação dos caminhoneiros está tão precária que poucos conseguiriam ter acesso ao crédito. Muitos, dizem eles, estão com o nome sujo na praça. Além disso, pegar crédito agora seria decretar a morte dos motoristas em alguns anos. “Estão dando a corda para gente se enforcar”, dizia um deles.

Logo após o anúncio da linha de crédito para profissionais autônomos, Wallace Costa Landim, conhecido como Chorão, um dos líderes dos caminhoneiros, disse que a medida agradava a categoria e até poderia evitar a greve, mas esperava uma manifestação de Bolsonaro para bater o martelo sobre a questão.

“Inicialmente, claro que o pacote agrada (a categoria). Mas preferimos aguardar o que o presidente vai falar para comunicar oficialmente o posicionamento dos caminhoneiros”, diz o líder.

*Com informações do Estadão Conteúdo