Investigação já apontava para prisão de Dirceu, diz senador

  • Por Jovem Pan
  • 03/08/2015 09h08

O ex-ministro da Casa CivilO ex-ministro da Casa Civil

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan desta segunda-feira (03), o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) classifica a prisão do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, como previsível. “A prisão estava prevista, já era muito comentada a possibilidade dessa prisão em decorrência do que estava sendo revelado nos depoimentos, sobretudo, dos relatores da Operação Lava Jato”, conta. Dirceu é investigado por receber propina e declará-las como parte dos lucros de sua empresa de consultoria.

O tucano considera que a Operação Lava Jato, que deflagrou a 17ª fase nesta segunda-feira com a prisão de Dirceu, avançou consideravelmente, mas está longe do fim. “Acredito que a operação ainda tem um longo caminho a ser percorrido para que possamos desvendar toda essa organização criminosa que se instaurou no Brasil para construir um projeto de poder”, afirma.

Fim do recesso

Retomando as atividades, os parlamentares retomarão a votação de projetos de lei, no entanto, um conjunto de medidas econômicas tem sido classificado como “pauta-bomba” por ser considerado prejudicial às contas do governo. Mas, para Lima, “é importante lembrar que quem tem maioria nas duas casas, tanto na Câmara quanto no Senado, é o governo e o governo vem colhendo aquilo que semeou”.

“As pessoas precisam entender que hoje o que mais falta ao governo do PT é humildade para reconhecer um conjunto de erros graves que foram praticados na parte fiscal, sobretudo no campo ético”, e completa, “essa base está fragmentada porque foi mantida com o Petrolão, foi mantida com o Mensalão. O Brasil no governo do PT deixou de fazer um governo de coalizão para fazer um governo de cooptação, e cooptação pela via da corrupção, pela via do desvio de dinheiro público em um sistema que ruiu”.

Contas públicas

O senador considera, a partir dos dados apontados pelo relator ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, que a rejeição das contas do governo Dilma de 2014 estão fadadas à rejeição. “Não há como imaginar outro resultado se não a desaprovação”, avalia.

Atualmente, a equipe técnica do TCU avalia a defesa apresentada pelo governo com relação às chamadas pedaladas fiscais. A oposição espera pela rejeição das contas públicas para usar a decisão como motivo para pedir o impeachment da presidente.