PF anexa investigação antiga sobre “caixinha” de R$ 600 mil a Temer do Porto de Santos

  • Por Jovem Pan
  • 26/01/2018 09h39
EFE/Gian EhrenzellerPresidente Michel Temer durante participação do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na última quarta (24)

Uma investigação do início dos anos 2000 que cita Michel Temer (MDB) foi recuperada e anexada ao inquérito que esquadrinha a ligação do presidente da República a negócios escusos no porto de Santos, em São Paulo. A informação foi dada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, ao site Poder 360/Drive.

O inquérito mais recente investiga a edição de um decreto pelo presidente que beneficiou empresas que atuam no porto de Santos. Temer assinou a nova lei em maio de 2017 e ela ampliou as concessões do setor de 25 para 35 anos, prorrogáveis por até 70 anos. Uma das empresas beneficiadas seria a Rodrimar, que teria feito lobby junto ao ex-assessor do presidente, Rodrigo Rocha Loures (MDB), que correu com a mala de dinheiro da JBS em outro caso.

Já o inquérito antigo, agora anexado, tem a acusação de que Michel Temer teria recebido R$ 600 mil de uma “caixinha” de 7,5% dos contratos da Codesp (Companhia de Docas de São Paulo), empresa estatal que administra o porto de Santos.

A “caixinha” de dinheiro desviado seria dividida entre Temer, o então presidente da Codesp, Marcelo de Azeredo, e “um tal de Lima”, identificado como o coronel aposentado João Baptista Lima Filho, cujas associações ao emedebista também são apuradas na investigação mais recente.

“O presidente só pode ser investigado por atos cometidos durante o mandato. Porém, se forem encontrados pontos de ligação, estes servirão como base para a continuidade da investigação”, afirmou Segovia ao portal.

O site destaca ainda que o inquérito antigo começou quando a ex-mulher de Marcelo de Azeredo, da Codesp, pedia pensão e alegava que os rendimentos do ex-marido seriam maiores que os declarados e tinham origem em propina paga por empresas do porto. Érika Santos revelou à época que metade do valor era repassado a Temer, “padrinho político” de Azeredo.

O caso foi arquivado em 2011, quando Érika desistiu da ação.

O presidente Michel Temer sempre negou irregularidades.