Conheça a história da Irmã Dulce, o ‘anjo bom da Bahia’

  • Por Jovem Pan
  • 11/10/2019 08h00
Reprodução/ Site da OsidA partir do domingo (13), Irmã Dulce será chamada de Santa Dulce dos Pobres

Nascida em 1914, Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes será canonizada no Vaticano no próximo domingo (13). Mundialmente conhecida por Irmã Dulce, a futura santa é natural de Salvador, na Bahia, e realizou inúmeras obras de caridade e de assistência aos pobres, motivo pelo qual recebeu a alcunha de “Anjo bom da Bahia”.

Segundo registros, Dulce teve contato com a religião ainda muito nova e pedia sinais para Santo Antônio, conhecido por ser casamenteiro, para escolher entre a vida beata e o matrimônio. Aos 13 anos, motivada pela tia, começou a visitar áreas carentes e assim tomou a decisão de ser tornar uma mulher religiosa. Nesta idade foi recusada pelo Convento de Santa Clara do Desterro, por ser considerada muito nova.

Com o tempo, e autorização da família, ela transformou a casa, no bairro de Nazaré, em um centro de atendimento à pessoas necessitadas. O local ficou conhecido como “a portaria de São Francisco” – fazendo referência à São Francisco de Assis, também conhecido por ajudar os mais pobres.

Em fevereiro de 1933, aos 19 anos, Maria Rita se formou como professora primária e entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, em Sergipe. Seis meses depois ela fez os votos, se tornando freira, e adotou o nome de Dulce em homenagem à sua mãe – já falecida.

Entre as muitas obras sociais de Dulce, a que mais se destacou foi a que teve origem com a invasão de cinco casas na Ilha do Rato. Mais tarde, o espaço se tornou o Hospital Santo Antônio – centro de um complexo médico, social e educacional que continua atendendo aos pobres atualmente. A instituição Obras Sociais Irmã Dulce é uma das maiores e mais respeitadas entidades filantrópicas do país.

Em novembro de 1990, Irmã Dulce começou a apresentar problemas respiratórios. Com a saúde bem fragilizada, em outubro de 1991, recebeu em seu leito de morte a visita do Papa João Paulo II, que lhe deu a extrema unção (hoje também chamada de unção dos enfermos).

Irmã Dulce morreu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos. O corpo do “anjo bom da Bahia” foi sepultado no alto do Santo Cristo, na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e, posteriormente, foi transferido para a Capela do Hospital Santos Antônio, sede das Obras Sociais.

Milagres

São dois os milagres da Irmã Dulce que foram reconhecidos pelo Vaticano. Porém, entre os populares, os relatos de intercessão passam de 14 mil.

O primeiro foi reconhecido em 2001, nove anos após sua morte. Claúdia Cristiane dos Santos teria tido uma hemorragia, que durou 18 horas, após o parto. O sofrimento só parou após o padre José Almi de Menezes rogar ao “anjo bom da Bahia”.

O segundo foi a cura de uma cegueira em 2014. Maurício Moreira ficou sem enxergar por 14 anos quando, com uma dor aguda nos olhos, após clamar para que Irmã Dulce intercedesse por ele, retomou a visão.

Canonização

A canonização da Irmã Dulce acontecerá no próximo domingo (13), no Vaticano, através do Papa Francisco. Ela se tornará a Santa Dulce dos Pobres – considerada a primeira santa mulher brasileira reconhecida pela Igreja Católica.

Mais de 180 integrantes do clero, entre bispos e sacerdotes, devem acompanhar a cerimônia. O vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, estará presente representando o Governo.

Também embarcaram para Roma na última quinta-feira (10): Davi Alcolumbre, Rodrigo Maia, Dias Toffoli, Augusto Aras, Luiz Henrique Mandetta, ACM Neto, José Sarney, entre outros. A comitiva brasileira tem quase quarenta nomes, contando com esposas e primeiras-damas.