Para defesa de João de Deus, decisão de Toffoli no caso Coaf dá margem para questionamento

  • Por Jovem Pan
  • 17/07/2019 11h20
Ernesto Rodrigues/Estadão ConteúdoO medium João de Deus está preso há quase sete meses em Aparecida de Goiânia e é réu em oito processos por violência sexual contra quase 100 mulheres

Após o ministro Dias Toffoli aceitar o pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro de suspender todos os processos em tramitação no Brasil, que tenham compartilhado dados do Coaf com o Ministério Público, sem que houvesse autorização judicial prévia para isso, a defesa de João de Deus disse que a decisão do Supremo Tribunal Federal abre margem para colocar a situação do líder religioso sob questionamento.

“Num caso houve informação direta do Coaf para o MP e pode gerar questionamento”, diz o advogado Alberto Toron, que comanda a defesa do médium. Segundo ele, cabe questionamento com relação ao caso que apura lavagem de dinheiro. “Penso que apenas em relação ao que apura a própria lavagem.”

Preso há quase sete meses no complexo penitenciário de Aparecida de Goiânia, João Teixeira de Farias, o João de Deus, é réu em oito processos por violência sexual contra quase 100 mulheres. Ele é suspeito ainda de lucrar por meio da extorsão de seguidores, lavagem de dinheiro e prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Um relatório feito pela força-tarefa que investiga o caso aponta João de Deus como chefe de uma organização criminosa.

As provas incluem dois relatórios do Coaf detalham transações milionárias nas contas do médium e seus aliados, além de e-mails entre membros do grupo, depoimentos de testemunhas e escrituras de imóveis. Os investigadores suspeitam que o médium possa ter acumulado ilegalmente milhões de reais por mais de 30 anos.

Dos dois relatórios do Coaf que estão no centro do caso, um deles foi usado para sustentar sua prisão. Ele foi encaminhado pelo Coaf ao Ministério Público de Goiás ainda em dezembro de 2018, assim que as primeiras denúncias contra o médium apareceram na mídia. Segundo este relatório, o médium fez movimentações financeiras de R$ 35 milhões às vésperas da decretação de sua prisão preventiva, o que chamou a atenção do Coaf. Os investigadores desconfiaram de tentativa de fuga do País.

*Com informações do Estadão Conteúdo