João de Deus diz que ‘não se lembra’ das mulheres que o denunciaram

  • Por Jovem Pan
  • 26/12/2018 19h17
ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO CONTEÚDOCerca de 600 denúncias já chegaram ao Ministério Público de vários estados e países

O médium João de Deus prestou depoimento nesta quarta-feira (26) no Ministério Público de Goiás. Durante uma hora e meia, ele foi questionado pelos promotores sobre as denúncias de abuso sexual que tem recebido e ouviu três relatos detalhados de vítimas, dois de violência sexual mediante fraude e um de estupro de vulnerável. Como resposta a todos, disse que “não se lembra” das mulheres em questão.

“O senhor se lembra disso?”, perguntaram. “Não, absolutamente isso não acontece, não é verdade”, negou João. Indagado em seguida sobre os nomes das vítimas, alegou que “não se lembra”.

Cerca de 600 denúncias já chegaram ao Ministério Público de vários estados e países. Ao todo, a Polícia e a Promotoria tomaram o depoimento formal de 78 mulheres.

João de Deus está preso no Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia.

O que diz a defesa

Alberto Zacharias Toron, advogado criminalista que defende o médium, reforçou o posicionamento do depoimento. Para ele, é “justificável” que João não se recorde do nome das mulheres que o acusam.

“Ele recebia entre 1.000 a 1.500 pessoas todos os dias. Foi perguntado a ele, especificamente, sobre três mulheres. Ele respondeu, logicamente, que não se recordava delas”, informou. “Se você recebe 1500 pessoas por dia e vem uma e fala que em abril ou maio aconteceu isso ou aquilo, por nome é impossível lembrar, obviamente (…). Categoricamente, o sr. João negou que tivesse feito qualquer coisa errada.”

Toron declarou ainda que o depoimento foi “marcado pelo respeito e pela cordialidade” de ambos os lados, criticou a necessidade de de manter seu cliente em prisão preventiva e, como argumento contra os abusos, comentou que o médium não tem “apetite sexual”. “Ele se submeteu à operação de câncer, comprovadamente colocou cinco ou seis stents e toma remédio para pressão alta.”

Sobre o dinheiro encontrado

O depoimento desta quarta não fez referência ao dinheiro vivo (R$ 1,6 milhão) e nem às armas que foram encontradas pela polícia em imóveis do líder espiritual. O advogado, no entanto, aproveitou a saída da audiência para comentar o caso.

“Já posso adiantar que esse dinheiro tem a ver com doações antigas que simplesmente estavam guardadas Como se trata de atividade religiosa entendeu-se que isso não é tributado. Se amanhã entenderem que é tributado, paga-se o tributo. Não existe essa história de atividade ilícita. Inventaram essa história.”

*Com Estadão Conteúdo