Justiça manda pagar auxílio-reclusão a menina de 14 anos cujo pai está preso

  • Por Jovem Pan
  • 23/02/2020 12h52
FlickrMenina que tem o pai preso terá direito à auxílio-reclusão

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) determinou que o INSS conceda auxílio-reclusão a uma menor de 14 anos, residente de Florianópolis, dependente do pai que se encontra preso desde janeiro de 2016.

A Previdência havia negado o benefício administrativamente alegando que o homem não possuía mais a condição de segurado quando foi preso. No entanto, a Turma Regional Suplementar de Santa Catarina, de forma unânime, entendeu que, de acordo com a lei previdenciária, a situação de desemprego involuntário do genitor prorrogou a sua qualidade de segurado durante a época da prisão e que o auxílio é devido à sua filha. A decisão foi dada na primeira sessão de julgamento do colegiado em 2020, ocorrida no dia 18 de fevereiro.

A menina, representada pela mãe, ingressou com a ação em setembro de 2018 requisitando judicialmente a concessão do benefício. O juízo da 8ª Vara Federal de Florianópolis julgou a ação improcedente e negou o pedido, entendendo que o conjunto probatório dos autos não autorizava o reconhecimento da situação de desemprego involuntário do pai no período entre a última contribuição ao instituto e o encarceramento.

A autora recorreu ao TRF4. No recurso, alegou que a prova testemunhal atestou inequivocamente que o homem, após o último vínculo de emprego noticiado no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), não trabalhou, nem exerceu atividade na informalidade, e que buscava emprego.

Também argumentou que a situação de desemprego, para o fim de manutenção da qualidade de segurado do recluso, não se desfigura pelo exercício da atividade ilícita que determinou a prisão, mesmo que tenha sido geradora de renda.

A Turma Regional Suplementar de Santa Catarina, por unanimidade, deu provimento à apelação, reformando a sentença e determinando que o INSS pague o benefício à menor desde o recolhimento do pai à prisão em janeiro de 2016.

O colegiado estabeleceu que as parcelas vencidas devem receber correção monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e juros moratórios, além disso o auxílio deve ser implantado pela autarquia em até 45 dias, a partir da publicação do acórdão.

*Com Estadão Conteúdo