Kassab afirma que origem de dinheiro encontrado em apartamento é legal: ‘Associado a bloqueio de bens’

  • Por Jovem Pan
  • 19/12/2018 15h26
Eduardo Carmim/Estadão ConteúdoApartamento de ministro foi alvo de mandados judiciais nesta quarta

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSB), afirmou nesta quarta-feira (19) ao Jornal Jovem Pan que os R$ 301 mil encontrados pela Polícia Federal em apartamento são legais. Segundo ele, os valores são consequência de bloqueio de bens determinado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em setembro.

“Todos os valores possuem comprovação jurídica e cumprem requisitos legais. Evidentemente, são associados ao bloqueio de bens que eu ‘passo’ nos últimos tempos, que me leva a conviver com essa situação. [Estou] Muito tranquilo com a legalidade”, disse. Kassab é réu em ação que o acusa de receber propina da Odebrecht.

A busca desta quarta está relacionada a delações da J&F, que teria feito repasses ao ministro em troca de apoio político. “Nesse caso específico, nós já enviamos [à justiça] todas as informações que foram pedidas, para mostrar a idoneidade de nossas ações, porque essa é a nossa obrigação”, declarou. “O judiciário cumpre seu papel [ao apurar denúncias].”

Segundo Kassab, todas as acusações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) foram contestada por advogados que o defendem. “Aguardo com serenidade o resultado desse inquérito, que vai atestar a lisura das minhas ações”, indicou. “Eu só posso me manifestar pelo respeito que tenho ao poder judiciário.”

Kassab está em Brasília, onde participou da última reunião ministerial da gestão do presidente Michel Temer, e não acompanhou de perto as buscas realizadas no apartamento. Mandados também foram cumpridos em endereços ligados ao irmão do ministro, Renato Kassab, e contra o governador do Rio Grande do Norte, Robinson Faria (PSD).

Buscas

O mandado de busca e apreensão foi assinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A Polícia Federal indicou que o objetivo é “investigar o recebimento de vantagens indevidas” entre 2010 e 2016. Os repasses teriam como objetivo conseguir o apoio de Kassab à candidatura presidencial de Dilma Rousseff (PT) em 2014.

O grupo de empresas de Joesley e Wesley Batista teria feito pagamentos de até R$ 58 milhões a Gilberto Kassab, segundo a procuradora-geral da República Raquel Dodge. Partido dele, o PSD também teria sido beneficiado com os recursos ilegais. Parte do dinheiro foi feita “por meio de doações oficiais de campanha” e “quitação de notas fiscais falsas”.

Doria

Futuro “chefe” de Kassab, o governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou em nota nesta quarta que “confia na conduta da justiça e no amplo direito de defesa do ministro para os esclarecimentos necessários”. Kassab deixará a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para ocupar a Casa Civil paulista, no Palácio dos Bandeirantes.