Lava Jato acusa Cabral e ‘doleiro dos doleiros’ de lavagem de R$ 1,7 milhão

O ex-presidente do Banco Prosper, Edson Figueiredo Menezes, também foi denunciado

  • Por Jovem Pan
  • 30/04/2020 16h43
FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDOProcuradoria identificou transações de Cabral com o valor equivalente a US$ 303 mil em reais para conta nas Ilhas Cayman

A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro denunciou o ex-governador do Estado, Sérgio Cabral, e o “doleiro dos doleiros” Dario Messer por esquema de evasão de divisas e lavagem de US$ 303 mil (cerca de R$ 1,7 milhões), realizado em 2011. O ex-presidente do Banco Prosper, Edson Figueiredo Menezes, também foi denunciado.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), recursos obtidos por corrupção e licitações fraudulentas foram movimentados por Messer e Menezes (codinome “Gigante”) a serviço de Cabral. O esquema consistiu na compra de US$ 303 mil em vinhos em um leilão internacional para o ex-governador fluminense, cujo valor foi ressarcido pela rede de doleiros de Messer.

A Procuradoria identificou transações de Cabral com o valor equivalente a US$ 303 mil em reais para conta nas Ilhas Cayman administrada pela offshore Remo Investments, de Menezes. O dinheiro também foi repassado pela mesma da rede de doleiros.

A denúncia foi apresentada para a 7ª Vara Federal Criminal do Rio, comandada pelo juiz Marcelo Bretas. Caberá ao magistrado decidir se acolhe o caso e coloca Cabral, ‘Gigante’ e o ‘Doleiro dos doleiros’ no banco dos réus. O trio poderá responder pelos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, cujas penas chegam a vinte anos de prisão e reparação aos cofres públicos no valor estimado de R$ 1,7 milhões.

Réus

Cabral está preso desde novembro de 2016, quando foi detido na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato Rio. O ex-governador já foi condenado a penas que somam 282 anos de prisão e teve pedido de soltura negado pelo STJ ao alegar vulnerabilidade perante o novo coronavírus. Delator, Cabral firmou colaboração premiada com a Polícia Federal, homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

Dario Messer, por sua vez, é investigado na “Câmbio, Desligo” e é réu por crimes contra o sistema financeiro. O MPF acusa o doleiro de constituir um “grandioso esquema” de movimentação de recursos ilícitos no Brasil e no exterior por meio de dólar-cabo — operações de compra e venda da moeda estrangeira na qual o doleiro pede ao cliente que deposite o valor em reais em sua conta para transferir, a partir de outra conta no exterior, o valor convertido. O mecanismo burla os controles de fiscalização financeira.

Messer foi posto em regime domiciliar após ter suas prisões preventivas convertidas por decisões judiciais que seguiram a recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a liberdade provisória ou prisão domiciliar a presos do grupo de risco do novo coronavírus. Ele estava detido desde julho de 2019, quando foi preso em São Paulo após ficar foragido da Justiça.

Defesa

O advogado criminalista Átila Machado, que defende Dario Messer, disse que “os fatos narrados na denúncia não correspondem com a verdade”. “Se a acusação prosseguir e alcançar a fase de instrução, a Defesa provará de forma cabal a inocência de Dario Messer”, concluiu.

Já Marcio Delambert Miranda Ferreira, advogado de Sérgio Cabral, respondeu que trata-se de “mais uma denúncia que faz parte de um fatiamento de acusações criando um passivo criminal irreal”.

“O ex-governador está determinado a esclarecer irremediavelmente todos os fatos. É colaborador da Justiça, o acordo foi assinado com a Polícia Federal e homologado pelo ministro Edson Fachin no Supremo Tribunal Federal (STF).”

* Com informações do Estadão Conteúdo