Lava Jato: Beto Richa foi um dos beneficiários de esquema nas rodovias

  • Por Jovem Pan
  • 26/09/2018 12h02 - Atualizado em 26/09/2018 12h33
Agência BrasilO ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB)

O ex-governador Beto Richa (PSDB) foi um dos beneficiários do esquema de propina investigado na 55ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta quarta-feira (26). Segundo os investigadores, os pagamentos de propina começaram em 1999 e se estenderam, em alguns casos, até janeiro deste ano — a estimativa é de que cerca de 30 milhões de reais foram repassados de forma indevida.

Também se beneficiaram do esquema Maurício Ferrante, diretor jurídico da Agepar (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Infraestrutura do Paraná); José Alfredo Gomes Stratmann, ex-diretor da Agepar; Antonio Queiroz, advogado agência. As apurações ainda precisam ser aprofundadas para saber se os governadores anteriores também se beneficiaram do esquema. Além de Richa, estavam à frente do estado neste período Jaime Lerner (1995-2003) e Roberto Requião (2003-2010).

O tucano não foi alvo desta operação, mas seu irmão José Richa Filho, ex-secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, foi preso. Ele já tinha sido detido no dia 11 pela Operação Radiopatrilha, do Ministério Público do estado. Três dias depois, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes mandou soltá-lo.

De acordo com o procurador da República Diogo Castor de Mattos, foi identificado que Richa Filho comprou um terreno em Balneário Camboriú (SC) com 500 mil reais de propina em dinheiro vivo. O Ministério Público aifrma que a escritura foi subfaturada e a diferença foi paga em espécie “por fora”.

As investigações mostraram que havia dois esquemas de corrupção paralelos e simultâneos: O primeiro começou em 1999 por meio da Associação Brasileira de Concessões Rodoviárias. O segundo teve início em 2011 e envolvia o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER). Todos os prestadores de serviços do departamento solicitavam vantagem indevida de 2% dos contratos.

Para Castor, o dano causado pela corrupção “imensurável”, principalmente em casos como esse, que atingem diretamente com a população. “Quando você deixa de duplicar rodovias, são acidentes que continuam ocorrendo, pessoas que continuam perdendo suas vidas. Essa é uma faceta da corrupção que é sentida por todos”, disse ele.

Ainda não foi descartada a possibilidade de o esquema também ocorrer em outros estados. A operação de hoje, por exemplo, foi realizada não só no Paraná, como também em São Paulo, no Rio de Janiero e em Santa Catarina.

A segunda fase da Operação Integração tem como foco casos de corrupção ligados à concessão de rodovias federais no Paraná, que fazem parte do chamado Anel da Integração. Foram expedidos, 73 mandados de busca e apreensão, três de prisão e preventiva (sem data para terminar) e dezesseis de prisão temporária (com prazo de cinco dias, podendo ser renovado por mais cinco).