Lava Jato deflagra operação que investiga banco em esquema com a Petrobras

O esquema consistiria em sobretaxar as operações acima dos valores de mercado para inflar o spread (lucro) do banco, mediante possível pagamento de propina para operadores da empresa pública a ser dividida com empregados da instituição financeira

  • Por Jovem Pan
  • 10/09/2020 09h03
JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOAs penas relativas aos crimes investigados podem chegar à soma total de 33 a 38 anos de reclusão

A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou, nesta quinta-feira (10),  a 74ª Fase da Operação Lava Jato, batizada de Sovrapprezzo, desdobramento da 61ª Fase, a Disfarces de Mamon. Cerca de 110 policiais federais cumprem 25 mandados de buscas e apreensão (6 em São Paulo, 3 em Teresópolis e 16 no Rio de Janeiro). Não há mandados de prisão. A justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados em contas no Brasil e no exterior, no valor de mais de R$ 97 milhões. A operação investiga um esquema de prováveis fraudes em operações de câmbio comercial contratadas pela Petrobras com um banco situado em São Paulo, cujas transações de compra e venda de moeda estrangeira totalizariam mais de 7 bilhões de reais no período entre 2008 e 2011, além de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e associação ou organização criminosa.

O esquema consistiria em sobretaxar as operações acima dos valores de mercado para inflar o spread (lucro) do banco, mediante possível pagamento de propina para operadores da empresa pública a ser dividida com empregados da instituição financeira, paga em troca do direcionamento dos negócios cambiais para o banco. Estima-se que o prejuízo para os cofres públicos pode chegar a mais de 18 milhões de dólares. As investigações visam ainda a comprovar a prática de lavagem de dinheiro porventura praticadas pelos investigados, seja através de movimentação de valores no Brasil e no exterior, mediante o uso de off shores, subfaturamento na aquisição de imóveis e negócios, interposição de pessoas em movimentações de capitais, utilização de contratos fictícios de prestação de serviços firmados entre o banco e empresas dos colaboradores envolvidos, assim como o grau do vínculo associativo mantido por todos.

O nome da operação faz referência a palavra sobrepreço em língua italiana. As penas relativas aos crimes investigados podem chegar à soma total de 33 a 38 anos de reclusão.