Lava Jato portuguesa também fisga José Dirceu
Deflagrada nesta quinta-feira, a operação Arquivo X mostrou que dois dutos do petrolão beneficiaram com 16 milhões de reais “o grupo político” do petista José Dirceu, ministro da Casa Civil no governo Lula. Primeiro, o consórcio Integra, formado pela empreiteira Mendes Junior e por uma das empresas de Eike Batista, teria obtido um contrato com a Petrobras fraudando a licitação por meio do pagamento de propina a Dirceu e a funcionários da estatal. Depois, o mesmo consórcio teria forjado contratos com empresas de fachada apenas para continuar alimentando o caixa de Dirceu e seus comparsas. Foi um golpe duro no ex-todo poderoso do PT. Mas não o único que o dia lhe reservava.
Do outro lado do Atlântico, a Operação Marquês, que deslinda um esquema de corrupção que envolveu o mais alto escalão do governo de Portugal, também trouxe más notícias para Dirceu.
Ao fazer buscas num escritório de advocacia, os promotores portugueses encontraram diversos documentos pessoais do político brasileiro: faturas de viagens, cópias de passaporte e até extratos bancários com anotações manuscritas. Os documentos reforçam a tese de que Dirceu foi peça chave na transação que levou a Portugal Telecom a investir na Oi, a gigante brasileira de telefonia resultante da fusão da Telemar com a Brasil Telecom.
O escritório teria servido de palco para encontros entre Dirceu e os acionistas mais significativos de telefônica portuguesa. Além disso, um dos advogados teria criado uma sociedade com o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo Oliveira e Silva – que está negociando um acordo de delação premiada com a Lava Jato.
O investimento da Portugal Telecom na Oi levou à prisão o primeiro-ministro português José Socrates, que teria recebido propina para garantir o aporte. Mas não era apenas o político português que tinha interesse no negócio. A criação da Oi foi um projeto ao qual o ex-presidente Lula também se dedicou pessoalmente, chegando a editar uma lei apenas para possibilitá-la.
Segundo reportagem publicada pelo jornal português i nesta quinta-feira, “o conluio entre José Sócrates e o poder político brasileiro, nomeadamente Lula da Silva e José Dirceu, terá estado na origem de parte significativa das luvas que o ex-primeiro-ministro recebeu, segundo defendem os investigadores da Operação Marquês.”
O Radioatividade, que acompanha há meses os desdobramentos da Lava Jato em Portugal e Angola, tratou da aparição simultânea de Dirceu nas operações nos dois lados do Atlântico com o professor de Direito Rui Verde, comentarista do jornal de oposição angolano Maka Angola.
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