Bolsonaro diz querer ‘legalizar o garimpo’, ao contrário de quem quer índios em ‘zoológico’ como ‘animal pré-histórico’

  • Por Jovem Pan
  • 29/07/2019 10h51 - Atualizado em 29/07/2019 11h08
Divulgação Iphan/Heitor RealiAldeia denunciou uma invasão de garimpeiros seguida de morte na semana passada

Logo após indígenas da aldeia Wajãpi, no estado do Amapá, pedirem ajuda de autoridades para denunciar uma invasão de garimpeiros em suas terras, que supostamente também teriam matado um cacique, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse, nesta segunda-feira (29), que pretende “legalizar o garimpo” no Brasil, incluindo permitir a exploração do trabalho em terras indígenas.

“É intenção minha regulamentar o garimpo, legalizar o garimpo, é intenção minha, inclusive para índio. Tem que ter o direito de explorar o garimpo na tua propriedade”, declarou o presidente ao comentar sobre o conflito.

Bolsonaro afirmou, ainda, que quem for contrário à medida – ele falou em ONGs e outros países, sem citar quais – são pessoas e entidades que querem ver os indígenas presos em um “zoológico”, como se fossem “animais pré-históricos”. Ele também citou que as organizações desejam “ter para si a soberania da Amazônia”.

“Esses territórios que estão nas mãos dos índios, mais de 90% nem sabem o que tem lá e mais cedo ou mais tarde vão se transformar em outros países. Está na cara que isso vai acontecer, a terra é riquíssima. Por que não legalizaram indígena em cima de terra pobre? Não existe. Há um interesse enorme de outros países de ganhar, de ter para si a soberania da Amazônia”, disse o presidente.

Para Bolsonaro, não é possível dizer que o cacique realmente foi assassinado por garimpeiros. “Usam o índio como massa de manobra, para demarcar cada vez mais terras, dizer que estão sendo maltratados. Esse caso agora aqui. . Não tem nenhum indício forte que esse índio foi assassinado lá Chegaram várias possibilidades, a PF (Polícia Federal) está lá, quem nós pudemos mandar já mandamos. Buscarei desvendar o caso e mostrar a verdade sobre isso aí”,

Ele falou, ainda, que índio não faz lobby e não tem dinheiro. Na sequência, indagou: “Qual poder eles têm para demarcar uma terra deste tamanho? Poder de fora, será que não consegue enxergar isso? São milhares de ONG’s na Amazônia”, declarou.

Entenda o caso

Segundo o Conselho das Aldeias Waiãpi-Apina, garimpeiros invadiram a terra indígena e atacaram ao menos uma aldeia, a Yvytotõ, na semana passada. O chefe da aldeia Waseity, Emyra Waiãpi, foi morto na tarde de segunda-feira (22). De acordo com o conselho, entretanto, a morte não foi testemunhada por indígenas e só foi percebida na manhã de terça-feira (23).

Ainda de acordo com o conselho, grupos de Waiãpi encontraram não índios armados entre sexta-feira (26) e sábado (27), quando a aldeia Yvytotõ foi invadida e tiros foram ouvidos próximos à aldeia Jakare. O conselho comunicou a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF) na sexta-feira.

Na tarde de sábado, policiais federais e do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Amapá foram acionados e se deslocaram para a região a fim de apurar as denúncias. A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar a morte do cacique.

*Com Estadão Conteúdo