Lewandowski nega ter convidado petistas a encontro com Cármen no STF

  • Por Jovem Pan
  • 08/03/2018 12h49
José Cruz/Agência BrasilLewandowski diz que já estava no gabinete de Cármen quando os petistas chegaram sem aviso

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski divulgou nota nesta quinta-feira (8) negando que tenha solicitado à presidente do Tribunal, ministra Cármen Lúcia, que recebesse parlamentares do PT, inclusive a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, como havia informado o jornalista Gerson Camarotti.

Lewandowski chamou a notícia de “fake news”. Ele disse que, no último dia 1º de março, após a sessão plenária do Supremo, “foi convidado pela Ministra Cármen Lúcia a despachar assuntos internos do Supremo Tribunal Federal no gabinete da Presidência”, quando recebeu a notícia de que os petistas se dirigiam ao mesmo local “sem marcação prévia de audiência”.

Cármen Lúcia, então, teria solicitado que Lewandowski “acompanhasse o encontro ao seu lado”, o que ele teria feito “na condição de ouvinte”.

A notícia de Camarotti informa que “a própria Cármen Lúcia foi surpreendida com a presença de parlamentares do PT – inclusive Gleisi Hoffmann, presidente do partido – que foram ao seu gabinete a pedido do ministro Ricardo Lewandowski”.

A reportagem, publicada nesta quarta (7), mostra que a presidente da Corte estava desconfortável com a pressão interna e externa de dirigentes do PT que pedem que ela paute a discussão sobre constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância, que pode afetar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se enquadra no perfil.

Condenado pelo TRF4 a 12 anos de prisão, Lula aposta nos tribunais superiores para rever sua situação jurídica que pode impedi-lo de concorrer à Presidência. Ele teve habeas corpus preventivo negado no Superior Tribunal de Justiça. Recurso semelhante tramita no STF.

Para o núcleo petista, informa Camarotti, é mais “seguro” votar um caso genérico do que colocar na pauta do Supremo um recurso específico do ex-presidente condenado pela Lava Jato.

Segundo o jornalista, entre os petistas que circulam pelos corredores do Supremo para fazer “embargos auriculares” com os membros do STF, estão os ex-ministros Jaques Wagner, Gilberto Carvalho, José Eduardo Cardozo e o ex-deputado e advogado Sigmaringa Seixas.

Veja a nota completa de Lewandowski, publicada no site oficial do Supremo:

Com o objetivo de impedir a disseminação de notícias falsas (fake news), cumpre esclarecer que, ao final da sessão plenária do dia 1° de março de 2018, o Ministro Ricardo Lewandowski foi convidado pela Ministra Cármen Lúcia a despachar assuntos internos do Supremo Tribunal Federal no gabinete da Presidência. Durante a reunião, o Ministro Lewandowski foi informado pela Presidente do STF que parlamentares do Partido dos Trabalhadores estariam chegando ao gabinete da Presidência, sem marcação prévia de audiência, e solicitou ao Ministro que acompanhasse o encontro ao seu lado. Diante do pedido emanado da Presidente do STF, o Ministro Ricardo Lewandowski acompanhou, na condição de ouvinte, a audiência entre as parlamentares e a Ministra Cármen Lúcia.

Gabinete do Ministro Ricardo Lewandowski