Líder do Centrão critica Bolsonaro após demissão de Teich

Deputado Paulinho da Força divulgou uma nota questionando os ‘impulsos’ do presidente na condução da crise do coronavírus

  • Por Jovem Pan
  • 15/05/2020 16h24 - Atualizado em 15/05/2020 16h25
Alex Ferreira/Câmara dos Deputados/DivulgaçãoPaulinho da Força (SP) preside o Solidariedade

Um dos líderes do Centrão, o deputado Paulo Pereira da Silva (SP) divulgou uma nota nesta sexta-feira (15) criticando os “impulsos” do presidente Jair Bolsonaro na condução da crise do novo coronavírus, principalmente em relação ao pedido de demissão do ministro da Saúde, Nelson Teich.

No Congresso, representantes do Centrão já afirmam, nos bastidores, que será muito difícil apoiar Bolsonaro em meio à queda de popularidade. Em outra frente, no entanto, partidos como o PL também intensificaram as negociações para ocupar pastas no Ministério da Saúde.

“Saiu quem não tinha entrado. Nesta sexta (15), o ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu exoneração do cargo, mas, não sei se alguém percebeu, já não fazia diferença”, disse Paulinho da Força, como é conhecido o deputado, que preside o Solidariedade.

Após afirmar que Teich era constantemente desautorizado por Bolsonaro, Paulinho partiu para o ataque ao chefe do Executivo. “Duvido que alguém consiga fazer o presidente aprender com a ciência e perceber que reduzir o isolamento social é colocar mais brasileiros na fila de espera por uma vaga na UTI. O Brasil precisa de liderança, mas vai ser difícil encontrar um ministro que seja capaz de lidar, ao mesmo tempo, com a crise sanitária e com os impulsos de Jair Bolsonaro.”

A avaliação é compartilhada por outros partidos que integram o Centrão. “Diante das imposições do presidente, só topará ser ministro da Saúde quem não tiver compromisso com a ciência e nem com a medicina. O pedido de demissão do ministro demonstrou que ele tem”, pontuou o deputado Marcelo Ramos (PL-AM).

Secretário demitido do Ministério da Saúde

Na última quinta-feira, o administrador de empresas Francisco de Assis Figueiredo foi demitido do cargo de Secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde. Como parte da negociação do governo com partidos do Centrão, o posto deve ser ocupado por um nome indicado pelo PL, sigla comandada pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão.

O PL chegou a negociar nomes para a Secretaria de Vigilância em Saúde, pasta estratégica para formular ações sobre o avanço da Covid-19 no Brasil, como orientações de isolamento social. A Secretaria de Atenção Especializada, no entanto, é mais atrativa — porque autoriza o custeio (habilitação) de leitos de UTI em todo o País, além de certificar entidades que fazem serviços complementares ao SUS — e virou o novo alvo do partido.

* Com informações do Estadão Conteúdo