Líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta é acusado de operar esquema de fraude no RS

  • Por Jovem Pan
  • 28/01/2019 18h15 - Atualizado em 28/01/2019 18h29
Reprodução TwitterPaulo Pimenta é acusado de operar um sistema que lesou produtores rurais da cidade de São Borja

O depoimento de um primo de Paulo Pimenta, deputado federal e líder do PT na Câmara, trouxe à tona novamente uma investigação na qual o parlamentar é acusado de ter cometido crime de estelionato na cidade de São Borja, no Rio Grande do Sul.

Em entrevista a RBS TV, afiliada da TV Globo no Estado, nesta segunda-feira (28), o médico veterinário Antônio Mário Pimenta, conhecido como Maicó, e primo de Pimenta, afirmou que o deputado “operava” um esquema que lesou produtores rurais em pelo menos R$ 12 milhões.

Há 10 anos, um grupo de arrozeiros do município gaúcho venderam os cereais para uma arrozeira, mas não receberam. A empresa que deveria fazer o pagamento era administrada por Maicó, que vem sendo investigado desde então.

Nesta segunda, o veterinário foi localizado pela RBS TV na cidade de São Francisco de Assis e admitiu que a arrozeira pertence ao primo, Paulo Pimenta, e que ficou à frente da empresa, pois foi convencido pelo deputado de que seria um bom negócio.

“De fato, era um negócio fantástico, um negócio de 200 mil sacos de arroz, pegando uma empresa capitalizada. É praticamente um ano inteiro sem ter que comprar arroz”, explicou o veterinário.

Maicó disse ainda que o parlamentar seria o “operador” do esquema, no qual também fariam parte um advogado e lobista de Brasília e o ex-diretor do Dnit, Hideraldo Caron, que participou do Governo Dilma e em 2011 saiu o cargo por suspeitas de corrupção.

Porém, o negócio que seria lucrativo, segundo o deputado petista, não foi adiante. A produção de arroz comprada pela empresa não existia, assim como os laudos que atestavam a quantidade e qualidade do cereal – eles foram falsificados.

A empresa certificadora, sediada na cidade de Pelotas, chegou a denunciar o caso à Polícia Federal na época. Em 2012, o inquérito chegou ao Supremo Tribunal Federal, que passou a investigar Maicó e o deputado Paulo Pimenta por estelionato.

No entanto, até hoje o STF não esclareceu o que estaria por trás da negociação da produção do cereal. Depois do depoimento à RBS TV, Maicó procurou à Polícia Federal. O seu relato deverá ser encaminhado ao Supremo, para ser anexado ao inquérito.

No último mês, o STF negou o arquivamento da investigação envolvendo o parlamentar. Os ministros decidiram remeter o processo à Justiça Federal de Uruguaiana, cidade no Rio Grande do Sul, contrariando o pedido de sua defesa.

Pagamentos

Mesmo com a arrozeira não tendo feito progresso, Maicó disse que, algumas vezes, chegou a fazer transferências bancárias e depósitos em dinheiro na conta de um posto de gasolina de Porto Alegre, que pertence ao seu primeiro.

“Ele (Paulo Pimenta) pediu para fazer umas remessas, não sei se ligada a ele, para um posto de gasolina em Porto Alegre. Umas três ou quatro remessas, talvez mais, faz muito tempo, no valor de R$ 30 mil, R$ 40 mil, na época”, contou Maíco, que fazia as remessas sempre de forma fracionada, seguindo orientação do deputado petista.

Maicó falou ainda que não teve intenção de enganar os produtores rurais de São Borja. Inclusive, seguiu morando na cidade, mesmo após o calote. Mudou-se apenas há poucos meses, para cuidar das terras da família em São Francisco de Assis.

“Só do meu próprio bolso já perdi para mais de R$ 300 mil, R$ 400 mil entre ações trabalhistas e coisa que foram pagas. Eu paguei (algumas dívidas) vendendo gado, eu sou produtor, minha origem é dentro de uma cooperativa, eu sou veterinário de formação, eu sei onde é que arde”, concluiu.

Respostas

Em suas redes sociais, Paulo Pimenta rebateu as acusações e negou envolvimento no caso, além de atacar à RBS TV, dizendo que à afiliada da TV Globo: “desde o início do ano temos provas que revelam uma tentativa de extorsão por parte de pessoas que servem como fontes da RBS nesta matéria criminosa contra mim. Trata-se de fatos ocorridos há cerca de 10 anos e que não me dizem respeito”.