Lobista omitiu, em delação premiada, propina de US$ 5 milhões a Cunha, diz Moro ao STF

  • Por Jovem Pan
  • 17/08/2015 21h48
Presidente da Câmara dos Deputados

Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal, o juiz Sérgio Moro afirmou nesta segunda-feira (17), que o lobista Júlio Camargo omitiu, durante delação premiada, a acusação de pagamento de propina de US$ 5 milhões ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

A afirmação de Moro veio após pedido da defesa de Fernando Soares para anular o acordo de delação de Camargo. Fernando Soares, o Fernando Baiano, como é conhecido, é apontado como operador do PMDB do escândalo de corrupção da Petrobras. Segundos seus advogados, a delação de Júlio Camargo ficou nula após mudar depoimentos anteriores e dizer que parte dos recursos desviados foram para Cunha.

Moro escreveu: “não se pode, ainda, afirmar que o acordo de colaboração celebrado por Júlio Camargo não poderia ter sido homologado por este juízo em outubro de 2014, porque, em 16/07/2015, revelou fato que havia então omitido, de que parte da propina nos contratos dos Navios-sondas havia sido destinada ao referido deputado federal”.

Moro disse ainda que o tempo rege o ato, não tendo “qualquer conhecimento a respeito do fato admitido por Júlio Camargo somente em julho de 2015”. A denúncia de Camargo sobre Cunha também foi feita ao MP nos meses de março e junho deste ano.

Cunha já é alvo de inquérito no STF por suposta participação de desvios na Petrobras. A expectativa é de que ele seja denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, até o fim deste mês. Caso a denúncia seja aceita no STF, Cunha passa a ser réu e responderá a uma ação penal.

O juiz federal Sérgio Moro informou ainda no despacho que condenou o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, o lobista Fernando Baiano e o empresário Júlio Camargo à prisão em processo da Lava Jato relacionado à contratação de navios-sonda feitos pela estatal.

A defesa de Cunha chegou a solicitar no STF a suspensão da tramitação dessa ação no Paraná para que o caso fosse levado para o Supremo diante da citação do deputado. Cunha afirmou que Moro feriu a prerrogativa do Supremo de investigar um parlamentar com foro privilegiado.

*Informações do jornal Folha de S. Paulo