Lula critica “prende e solta” da Lava Jato em vídeo recém-divulgado

  • Por Jovem Pan
  • 17/07/2018 13h05
EFE/Paulo FonsecaEx-presidente tem recebido aliados na prisão parta articular politicamente com o PT sobre disputa presidencial

A assessoria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato mas ainda apontado como pré-candidato do PT ao Planalto, divulgou em sua conta oficial no Twitter um vídeo inédito do petista gravado no dia em que foi preso, 7 de abril, em que ele volta a se dizer “indignado” com a prisão que considera “injusta”.

A gravação, marcada por músicas emocionantes e imagens de fundo de apoiadores que cercaram o ex-presidente no entorno do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC à época da detenção, foi publicada para marcar os 100 dias da prisão do ex-presidente, que tem usado a sala especial da sede da Polícia Federal em Curitiba para articular politicamente.

Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso tríplex, em que é acusado de ter recebido propina da OAS por meio da reforma de um apartamento no Guarujá, que seria destinado a ele e sua família, em troca de influência por benefícios em contratos da empreiteira com a Petrobras. A dosimetria da pena foi aumentada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para 12 anos e um mês de cadeia. Lula responde mais seis processos após ter sido absolvido em um deles.

“Eu me transformei no cidadão mais indignado da história do Brasil”, afirmou Lula no vídeo recém-divulgado. “Essa gente (desempregados) não pode ser pega todos os dias com um show de pirotecnia feita com prisões e com solta, prende e solta, às vezes sem nenhum critério a não ser o critério de divulgação da mídia”, disse o ex-presidente, dizendo-se “indignado” contra o que chamou de “decisão política” no processo que o condenou.

Recentemente, um desembargador de plantão no TRF4, Rogério Favreto, concedeu “habeas corpus” a Lula em um domingo, mas Moro se negou a cumprir a decisão e o relator do caso no Tribunal, Gebran Neto, cancelou a decisão do colega e negou o HC. O imbróglio judicial foi resolvido pelo presidente do TRF4, Thompson Flores, e pelo Superior Tribunal de Justiça, que mantiveram Lula preso, mas o PT e aliados do ex-presidente têm usado o caso para fortalecer o discurso de que o líder petista seria um “preso político” e “perseguido” da Justiça.

No vídeo gravado em abril e agora editado, Lula também afirmou que Moro e os desembargadores do TRF4 “sabem que eu sou inocente”. “A única coisa que eu quero é que seja analisado o mérito do meu processo”, voltou a dizer o petista.

“Me parece que eu sou o sonho de consumo dos ministros que me julgaram e do juiz Moro, porque me parece que eles não querem, em hipótese alguma, junto com a Rede Globo de televisão e outros instrumentos de comunicação no Brasil, que a Lava Jato acabe ou que eu seja inocentado antes de ser preso”, discursou Lula na gravação de Ricardo Stuckert, seu fotógrafo oficial.

“O dia em que me provarem um meio crime que eu cometi nesse País, eu irei cumprir todas as decisões sem nenhuma preocupação”, bradou. Lula voltou a chamar de “mentira” a denúncia do Ministério Público e o inquérito da Polícia Federal. Lula classificou sua condenação como “fazer política na Polícia Federal, no Ministério Público e no Judiciário”.

Relembre o andamento do processo contra Lula e veja aqui algumas das provas apresentadas pelo Ministério Público no caso tríplex.