Lula se compara a Mandela e afirma: “o povo brasileiro é que foi condenado”

  • Por Jovem Pan
  • 24/01/2018 20h36 - Atualizado em 24/01/2018 20h43
HENRIQUE BARRETO/ESTADÃO CONTEÚDOCondenado em 2ª instância, ex-presidente Lula desafia a Justiça e reafirma o desejo de disputar a presidência da República

Após o final do julgamento do TRF-4, que, nesta quarta-feira (24), aumentou sua pena para 12 anos e 1 mês de prisão, o ex-presidente Lula participou de ato na Praça República, no centro de São Paulo. Ao lado da militância do partido, o petista novamente voltou a atacar a decisão dos magistrados e reafirmou que existe um “pacto” da Lava Jato com a imprensa.

Logo no início de seu discurso, Lula voltou a exaltar o slogan “eleição sem Lula é fraude”. Segundo o petista, o ato desta quarta-feira simboliza a defesa do Brasil. “Eu nunca tive nenhum ilusão com a decisão do Tribunal e com os juízes da Lava Jato. Houve um pacto entre o poder judiciário e a imprensa. Eles resolveram que era a hora de acabar com o PT. Eles não suportavam mais a ascensão social, eles não suportavam a quantidade de créditos para os produtos rurais (…) Era muita gente com carro na rua e a culpa era do PT. Carro não é pra nós (pobres). A gente tem que pegar ônibus lotado”, ironizou o ex-presidente.

Já sobre sua condenação e possibilidade da impugnação de sua candidatura, o petista novamente desafiou a Justiça. “Qualquer advogado aqui no palanque diria que eu teria que respeitar a decisão. Até respeito, mas não aceito a mentira pela qual tomaram a decisão. Eu não cometi o crime e quero que mostrem o crime que o ‘Lula’ cometeu. Quero que me peçam desculpas pelo que fizeram comigo. Estou condenado por um ‘desgraçado’ de um apartamento que não é meu. Se é meu, então me deem a escritura, não quero esse apartamento, mas já que é meu vou mandar o pessoal do MST ocupar. Se é meu, ocupem”, disse Lula.

O ex-presidente também não poupou o governo Temer. “Estou preocupado com 200 milhões de brasileiros que trabalham. Tudo tende a piorar com a reforma da Previdência. O Fies está acabando, o Prouni está diminuindo, a massa salarial está diminuindo, a carteira assinada vai acabar. Quem está no banco dos réus é o Lula, mas quem já foi condenado foi o povo brasileiro”, reafirmou.

O petista citou ainda Nelson Mandela, que ficou preso por 27 anos, mas ao voltar se tornou presidente da África do Sul. Lula ainda declarou que Tiradentes é o único herói nacional do Brasil e foi condenado por querer a independência.“Eles não estão acostumados a julgar um inocente. Esse julgamento é a oportunidade de eu viajar e discutir com o povo brasileiro o que nós estamos perdendo. Nem queria mais fazer política, mas essa provocação me deu uma ‘coceirinha’ e agora quero ser candidato a presidente da República”, disse Lula.

“Podem me cassar, não tem problema. Quero disputar e não é na caneta, mas na consciência deles. Se eu cometi um crime largo a minha candidatura. Já havia desafiado a Lava Jato e o Moro. Agora quero desafiar os três desembargadores que me julgaram”, destacou Lula, que reiterou: “Quero desafiar a elite brasileira, nós vamos voltar”, completou.

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), também discursou contra a justiça e reafirmou que a decisão foi meramente política. De acordo com Gleisi, a sentença do TRF-4 rasgou a constituição e seguiu o corporativismo. A líder petista ainda acusou Temer de governar para a elite e de jogar o país numa crise institucional.