Maia: Câmara defende ‘coronavoucher’ de R$ 500 por mês

  • Por Jovem Pan
  • 26/03/2020 16h09
Frederico Brasil/Futura Press/Estadão ConteúdoMaia concedeu entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, 26

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse nesta quinta-feira que não é o momento do governo medir gastos para socorrer quem sofrerá com a recessão que deve ser resultado da pandemia de coronavírus.

Em entrevista coletiva, ele afirmou que o impacto do benefício, batizado de ‘coronavoucher’, direcionado a trabalhadores informais durante o surto da doença. deve ultrapassar os R$ 200 inicialmente anunciados pelo ministro Paulo Guedes. “Não é possível que a gente não possa garantir aos informais, ao Bolsa Família, uma renda num período de três meses. Estamos construindo um valor de R$ 500 para trabalhadores informais”, disse.

A previsão é de que o impacto no orçamento seja da ordem de R$ 12 bi, mais que o dobro dos R$ 5 bi que foram ventilados anteriormente. Na opinião do deputado, o valor deveria ser ainda maior. “Não acho que a gente deva estar olhando para R$ 5 bi, R$ 10 bi. Eu acho que o Brasil teria que gastar de R$ 300 a R$ 400 bi para enfrentar a crise”, declarou.

O deputado afirmou também que o poder executivo tem debatido outras soluções econômicas, como a criação de um empréstimo ao longo prazo, com garantia do Estado, para que pequenos empresários possam garantir os salários e não precisem demitir. “Precisamos garantir previsibilidade para os cidadãos”, disse Maia. Segundo ele, o decreto de estado de calamidade pública deu liberdade para o governo lidar com a crise. “Se o Governo tem condições de gastar com o estado de calamidade pública, a gente precisa olhar quais soluções temos para resolver a crise. Depois organizamos o pagamento dessa dívida de guerra”.

Maia pede calma

Diante de tantas divergências entre as lideranças públicas no país, o presidente da Câmara pediu calma. “Acho que está na hora do diálogo. De ter mais paciência em todos os lugares. Entre os deputados, poderes, até com a família, durante o isolamento”, disse.

“Está na hora de deixarmos as divergências de lado. Precisamos tomar decisões, avançar e traçar caminhos para que o país possa sair dessa crise.”

Recessão

O cenário econômico do Brasil para depois da pandemia é preocupante, e Maia alerta que todos vão ter que ceder para que a economia volte a caminhar no Brasil. “O Brasil vai ficar mais pobre e todos vão ter que fazer sua parte. Estejam preparados para uma nova realidade, tanto no setor privado quando no público. Vamos enfrentar uma recessão”, disse.

Isolamento vertical

Perguntado sobre o isolamento vertical, possibilidade levantada pelo presidente Jair Bolsonaro, onde apenas os idosos e o grupo de risco ficam em quarentena voluntária durante a pandemia, Maia não descartou a medida, mas lembrou que ela precisa ser planejada para que funcione.

“Primeiro precisamos saber quantos idosos são. Só em São Paulo, são 7 milhões. No Rio, vários em comunidades. Uma coisa é na elite, na classe A. Para quem tem condições, tenho certeza que os idosos já estão em casas separadas dos outros familiares. Mas para os mais pobres, como faz? Quem vive em casas de 30, 25m² com outras pessoas?”, questionou.

“O isolamento vertical não pode ser 100% descartado, mas para isso acontecer, tem que pensar em políticas. Como vamos tirar os idosos de lá, e aí possibilitar que jovens voltem a sair, trabalhar? É um tema que tem que ser observado, principalmente para proteger idosos de baixa renda”, completou.