Maioria apoia impeachment, mas só um terço entende real motivo, diz pesquisa

  • Por Jovem Pan
  • 08/06/2016 13h47
ADBI939 BSB - 02/6/2015 - DILMA/BICICLETA - POLITICA - Presidenta Dilma Rousseff anda de bicicleta nos arredores do Palácio da Alvorada, em Brasilia. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADAODilma pedalando

Apesar da desconfiança com o presidente interino Michel Temer, a maioria dos brasileiros (62,4%) entende que o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência foi correto, aponta pesquisa CNT/MDA divulgada nesta quarta (8). Menos de um terço dos entrevistados (33,2%), contudo, entendem que as causas que motivam o processo de impedimento de Dilma são as “pedaladas fiscais”.

As “manobras” contábeis de 2015 (atrasos no repasse do Tesouro a bancos públicos) são o fundamento principal que permanece na ação contra Dilma que tramita no Senado Federal. O pedido inicial de Miguel Reale Jr. também cita suposta interferência na compra da refinaria Pasadena em 2006 e conhecimento da corrupção na Petrobras, mas as teses foram descartadas pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) quando este acatou o processo.

O Supremo Tribunal Federal também decidiu que a presidente pode ser julgada apenas por atos praticados no atual mandato, que começou no ano passado.

A opinião popular, no entanto, parece não levar em conta a decisão do STF. Questionados sobre as causas que motivaram o processo de impeachment, 44,1% citam a corrupção no governo federal. 37,3% atribuem a ação a uma suposta tentativa de obstrução da operação Lava Jato e 33,2% opinam que foram as pedaladas fiscais que levaram ao afastamento de Dilma.

Veem outros motivos 5,6% e 8% não souberam opinar.

Apoio ao afastamento

62,4% dos entrevistados defendem o afastamento de Dilma de até 180 dias decretado pelo Congresso Nacional enquanto o impeachment da petista é julgado no Senado. Por outro lado, um terço dos brasileiros (33,3%) entende que a saída temporária de Dilma foi errada.

Mais pessoas ainda entendem que Dilma não reassumirá o posto no Planalto. Um quarto (25,3%) acredita na volta da presidente afastada, enquanto 68,2% apostam em sua cassação.

45,6% dos entrevistados consideram que o processo de impeachment fortalece a democracia brasileira, contra 34,3% que avaliam que que a ação a enfraquece.

A pesquisa CNT/MDA foi realizada de 2 a 5 de junho de 2016 e entrevistou 2.002 pessoas em 137 municípios de 25 Estados. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais com 95% de nível de confiança.