A maioria da Casa está contra as teses do PT, diz Cunha

  • Por Jovem Pan
  • 12/06/2015 09h35
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, durante reunião da Mesa Diretora (Marcelo Camargo/Agência Brasil)Eduardo Cunha

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan nesta sexta-feira (12), o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, refutou a tese de que o Partido dos Trabalhadores tem sofrido perseguição política. Mas assumiu uma resistência política à sigla do governo Dilma. “A maioria da Casa está contra as testes do PTe contra a atuação politica do PT”, disse. “Se o partido está isolado dentro da comissão [CPI da Petrobras] é na proporção do isolamento que ele tem no plenário”.

Cunha também negou que o Congresso esteja exercendo “neoparlamentarismo” ao ir de encontro aos posicionamentos do governo. “O governo é que tem que ter o seu protagonismo com uma base forte que possa exercer a sua opinião no plenário no voto”, afirmou. O deputado pelo PMDB do Rio de Janeiro não vê o ato de votar como interferência e disse que o governo precisa trabalhar em sua base aliada e “e não ter essa impressão de ataque”. “Jamais eu pretendo e jamais da minha parte haverá qualquer tipo de invasão a qualquer outro poder, mas eu não abrirei mão do exercício do nosso poder, que é o legislativo”, assegurou.

Candidatura própria

O presidente da Câmara afirmou que o partido do qual faz parte não está há 13 anos atuando com o PT, mas que o processo teve início no segundo mandato do ex-presidente Lula, quando Michel Temer assumiu a posição de vice na chapa de Dilma. “No primeiro governo Lula, a maior parte do PMDB era oposição ao governo, inclusive eu. Defendíamos a candidatura própria”, explicou. No entanto, Cunha ressaltou que esse modelo está esgotado. “O PMDB não se sente hoje na sua grande maioria, pelo menos no que eu escuto, confortável para disputar uma nova eleição apoiando uma candidatura do PT. Eu não vejo o PMDB junto com o PT em 2018”, projetou.

Apesar disso, Cunha afastou a ideia da pretensão à presidência da República nas eleições de 2018. “Eu acredito que a razão de estar ocorrendo esse protagonismo [de seu mandato na Câmara] vem do fato de eu estar cumprindo com o que prometi que fiz na campanha e não é por isso que eu estou usando o cargo para ambições futuras”, rebateu.

Reforma política

Eduardo Cunha comentou também que as divergências nas votações sobre a Reforma Política eram esperadas: “É muito difícil um parlamentar que se elegeu por um sistema achar que pode se eleger por outro sistema e acaba, por conservadorismo, mantendo sua posição”. E explicou: “Uma forma que você tem de legislar é não votar alguma coisa que mude. Para mim ficou muito claro que a maioria é a favor do sistema atual e por isso tudo que deriva do sistema atual passa a ter mantido”.

O deputado estende o raciocínio para as alterações nos mandatos: “não há possibilidade de achar que alguém vai legislar contra si mesmo. O plenário decidiu o fim da reeleição e decidiu o tempo de mandato de cinco anos. Provocou um problema que matematicamente não se resolve, então Senado vai ter que legislar diferente ou concordar”.