Manaus poderá ter que sepultar vítimas da covid-19 em sacos plásticos

  • Por Jovem Pan
  • 28/04/2020 08h06
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO CONTEÚDOCom a alta nos enterros pela pandemia, Manau adotou o uso de valas coletivas no Cemitério Parque Tarumã, na zona norte da capital do Amazonas

A Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif) avaliou que, caso Manaus mantenha a média diária de 130 mortes causadas por coronavírus, a cidade vai precisar sepultar as vítimas em sacos plásticos nas próximas semanas. O Amazonas já registrou 304 mortes pela covid-19.

Para evitar que isso aconteça, a associação solicitou ao governo federal um avião de carga para o transporte de 2 mil urnas para a capital do Amazonas, que só possui mil urnas no estoque.

A Abredif enviou uma carta à Secretaria de Articulação Social do governo federal alertando para a gravidade do problema. De acordo com o presidente da associação, Lourival Panhozzi, há a necessidade imediata de reforço no estoque. “Se o governo não oferecer um avião para o transporte de urnas, poderemos chegar ao ponto de termos corpos jogados nas esquinas. O transporte rodoviário demora dias e a necessidade é imediata”, afirma.

Com a alta nos enterros pela pandemia, Manau adotou o uso de valas coletivas no Cemitério Parque Tarumã, na zona norte da capital do Amazonas.  Segundo a prefeitura, a metodologia de “abertura de trincheira” é internacional e  “preserva a identidade dos corpos e os laços familiares, com o distanciamento entre caixões e identificação de sepultura”.

A associação das empresas funerárias questiona ainda a falta de protocolo nacional. “Somos os responsáveis pela remoção e preparação dos corpos das vítimas do coronavírus e, assim como os profissionais da saúde, necessitamos de equipamentos de proteção e um protocolo unificado”, argumenta Panhozzi.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a disseminação do coronavírus por cadáveres só pode acontecer  se acontecer um manuseio incorreto dos pulmões do paciente durante a necrópsia, embora isso não signifique que o vírus morra com a vítima.

*Com informações do Estadão Conteúdo