Óleo atinge praia de Carneiros, cartão-postal de Pernambuco

A região paradisíaca é famosa pelo mar de águas calmas e azuis, além de ter uma das maiores unidades de conservação de corais do país

  • Por Jovem Pan
  • 18/10/2019 17h42
EFE/MARCOS RODRIGUESAinda não se sabe a origem do óleo que atinge a região Nordeste do país desde o início de setembro

A praia de Carneiros e a praia da Boca, em Tamandaré, no estado de Pernambuco, amanheceram manchadas de petróleo cru nesta sexta-feira (18). Em São José da Coroa Grande, cidade vizinha, a prefeitura decretou estado de emergência.

Em Pernambuco, já são 24 pontos atingidos até o momento, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Ainda de origem desconhecida, o poluente se espalha pelo litoral nordestino desde o início de setembro e já atinge 187 pontos, do Maranhão à Bahia. Apesar de a Agência Estadual de Meio Ambiente ter dito não haver o componente químico em Pernambuco esta semana, as manchas voltaram a surgir por causa da força das marés.

“Dia 2 de setembro apareceu em Tamandaré o óleo, era do tamanho de uma bolacha (cada mancha). Mas de ontem (quinta) para hoje (sexta), veio muito óleo mesmo. Estamos correndo contra a maré, que está enchendo. A tendência é uma parte do óleo ficar soterrada e outra voltar para a água”, afirma Joab Almeida, da Associação de Garis Marítimos.

“A gente tem uma unidade de conservação de corais, que é uma das maiores. Se esse piche estiver sobre a unidade, acaba o banco de corais”, teme Almeida.

A prefeitura de Tamandaré confirmou na manhã desta sexta que parte dos arrecifes próximos à praia de Carneiros foi atingida pela substância.

A Marinha, a Petrobras, a Transpetro e a Defesa Civil do Estado colocaram boias para conter o avanço da substância tóxica no Rio Pissinunga e no Rio Una, em área limítrofe entre Pernambuco e Alagoas.

Até o momento, no entanto, a contenção não chegou a Tamandaré, segundo o secretário de Meio Ambiente do município, Manoel Pedrosa.

“O avanço do óleo nos pegou de surpresa, não se consegue saber de onde vem a mancha. Lançamos embarcação para tentar encontrar e usar barreiras de contenção, que não chegam. Conseguimos fazer a limpeza com 1,5 mil pessoas, limpando 1,5 quilômetro de praia e 25 mil litros do óleo”, contabiliza Pedrosa.

Segundo o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, a última quantidade de barreira oferecida pela Marinha tinha 200 metros e não dava para conter o óleo nas praias pernambucanas.

“Quando vimos que o óleo se movimentava para o sul da Bahia, monitoramos e cobramos um plano do governo federal. Mas a Marinha daqui e o Ibama não têm os equipamentos necessários”, diz Bertotti.

O secretário destaca que o governo de Pernambuco não sabe de onde as manchas vêm. “Pela manhã, um helicóptero tenta localizar onde, se tem algum tipo de mancha e procurar agir, mas o monitoramento é de 1 quilômetro de costa, e não temos informação do governo federal de manchas que estejam se deslocando”, continua.

O governo de Pernambuco começou a observar o avanço do óleo nesta sexta em uma Sala de Situação, com monitoramento de embarcações e helicópteros. Para Bertotti, porém, “o plano nacional de contenção não está em curso”.

O Ministério de Meio Ambiente não se manifestou. Em nota, o Ibama afirma que as barreiras de contenção são importantes para conter a contaminação de outras áreas litorâneas, mas reconhece que a medida “pode não alcançar a eficácia pretendida”.

A instituição explica que o petróleo se concentra na camada subsuperficial do mar e não consegue ser identificado facilmente por satélites ou equipes de monitoração

As prefeituras de São José da Coroa Grande e de Tamandaré advertem os banhistas a não ter contato com o poluente sem usar luva de proteção. A convocação de voluntários para auxiliar na limpeza foi autorizada por causa do estado de emergência e desastre natural.

*Com informações do Estadão Conteúdo