Manchas de óleo chegam à Costa do Descobrimento, na Bahia

Alvo de maior desastre com petróleo no mundo, Reino Unido apoia investigação no Brasil

  • Por Jovem Pan
  • 31/10/2019 17h50
EFE/MARCOS RODRIGUESBolsonaro disse que está cada vez mais difícil de se descobrir a origem do óleo

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) confirmou nesta quinta-feira (31) que as manchas de óleo que avançam rumo ao sul da Bahia já chegaram a Santa Cruz Cabrália, município localizado na Costa do Descobrimento.

Cidade histórica e de grande beleza natural, Santa Cruz Cabrália foi o local onde ocorreu a primeira missa no Brasil, celebrada por Frei Henrique de Coimbra.

“A quantidade de óleo tem sido bem pequena até agora, mas é uma grande preocupação esse movimento da poluição em direção ao sul”, disse o superintendente do Ibama na Bahia, Rodrigo Alves.

Até esta quarta-feira (30), segundo informações do Ibama, um total de 283 localidades de 98 municípios e nove Estados no Nordeste tinham sido afetados pela tragédia.

Colaboração internacional

Protagonista de uma das maiores tragédias do mundo com derramamento de petróleo cru no mar, o Reino Unido está apoiando as investigações brasileiras sobre a origem da tragédia ambiental que castiga as praias do Nordeste.

A colaboração internacional tem se dado por meio da organização ITOPF, especializada em medidas de emergência em situações que envolvam vazamento de óleo. A instituição foi fundada em 1968, após a tragédia ocorrida com um dos primeiros superpetroleiros do mundo, um navio-tanque conhecido como Torrey Canyon.

Em 1967, o navio naufragou na costa sudoeste da Inglaterra e derramou 119 mil toneladas de petróleo bruto no mar. Foi o maior derramamento de petróleo ocorrido até hoje, segundo informações da organização. À época, o caso chamou a atenção do mundo para os problemas associados a desastres com navios-tanque.

Até o momento, a quantidade de óleo retirada do Nordeste brasileiro chega a 2 mil toneladas. Um navio-tanque, porém, carrega até 250 mil toneladas de petróleo.

Questionada sobre a colaboração do Reino Unido e o andamento do caso, a Marinha informou, por meio de nota, que as investigações do crime ambiental “continuam em curso e todos os esforços para elucidação dessa tragédia inédita na história marítima mundial vêm sendo empregados desde o dia 2 de setembro”.

Investigações

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (31) que está cada vez mais difícil de se descobrir a origem do óleo que atingiu as praias do Nordeste.

“Ninguém sabe a origem ainda. Diminuiu bastante a possibilidade de se encontrar e ter um responsável. Não temos nada de concreto. De modo que nada podemos anunciar”, afirmou, na saída do Palácio do Planalto. “Os órgãos do governo estão empenhados. Talvez semana que vem consiga tempo para sobrevoar a região.”

Nesta quarta (30), o vice-presidente, Hamilton Mourão, declarou que pode ser anunciado nesta semana o resultado das investigações. No momento, a principal hipótese da Marinha é de que uma embarcação mercante tenha sido a responsável, e não um “navio fantasma”.

Segundo Mourão, o derrame teria acontecido após a retirada de óleo para aumentar a estabilidade do navio no mar. “Acho que o cara fez uma ‘ejeção de porão’. Está com problema de flutuação, de balanço, e retira um pouco o óleo para aumentar a estabilidade”, explicou.

* Com informações do Estadão Conteúdo