Mansões, lancha, carros de luxo e Land Rover a Cerveró: as compras de Fernando Baiano para ocultar propina

  • Por Jovem Pan
  • 24/07/2015 13h00
Fernando Baiano preso pela Polícia Federal e os bens que teria adquirido para ocultar propina

O suposto operador de propinas do PMDB no escândalo da Petrobras, Fernando Soares (conhecido como Fernando Baiano), usaria agrados de luxo como forma de ocultar a “origem criminosa dos valores que repassava a Nestor Cerveró”, diz a força-tarefa da Polícia Federal que cuida da Operação Lava Jato. Cerveró, ex-diretor da Petrobras, está preso desde janeiro em Curitiba.

O trecho da ação penal em que Cerveró e Baiano respondem por terem recebido US$ 40 milhões de dólares por dois contratos de navios-sonda da Petrobras foram revelados pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta sexta (24), no blog de Fausto Macedo.

Partidos políticos desviariam de 1% a 3% de contratos da Petrovras em esquema com empreiteiras.

O Ministério Público diz no documento: “Em 27 de julho de 2012 o acusado Fernando Soares, para encobrir o pagamento de vantagem indevida devida a Nestor Cerveró, fruto dos crimes acima mencionados, negociou e comprou em favor de Nestor Cerveró e de sua esposa, Patrícia Cerveró, o veículo Land Rover Evoque Dynamic 5D”. Cerveró alega que sua mulher pagou pelo veículo, mas a força-tarefa não tem dúvidas de que isso não aconteceu.

Fernando Baiano pagou pelo carro, que foi registrado no nome da mulher de Cerveró.

Outros bens

O blog do jornal informa também que um apartamento na Barra da Tijuca e outras três caminhonetes de Baiano eram utilizadas para ocultar propina.

“Trata-se de uma cobertura do bloco 1 do Condomínio Parque Atlântico Sul (antigo Edifício Vieira Souto), localizado na Av. Lúcio Costa, 3600, Barra da Tijuca, um dos mais luxuosos da cidade”, diz o documento.

Outras duas Land Rover e uma Toyota Hilux foram citadas.

Esses bens seriam para Baiano ocultar os próprios bens de origem obscura. Eles foram comprados por empresas de fachada de Baiano, como a Hawk Eyes.

Outra empresa que seria de papel, mas era de fachada, a Technis, foi usada para registrar uma lancha de 55 pés, chamada “Cruela 1”, que custa em média R$ 4,5 milhões.

“Por ‘coincidência’ esta lancha foi adquirida de Otávio Marques de Azevedo, ex-presidente do grupo Andrade Gutierrez, que atualmente encontra-se preso preventivamente na Polícia Federal em Curitiba”, afirma o Ministério Público Federal em alegações finais no processo.

Uma “uma mansão de veraneio” em condomínio na Praia de Trancoso, Porto Seguro (Bahia), do suposto operador do PMDB, também foi citada.