Marina Silva diz que impeachment não resolve crise, ataca PT e PMDB e pede cassação de chapa

  • Por Jovem Pan
  • 18/04/2016 14h04
Marina Silva - Div

A porta-voz da Rede Marina Silva posicionou-se nesta segunda (18) por meio de nota em relação ao impeachment aprovado na Câmara. A ex-ministra considera que o impedimento de Dilma Rousseff “cumpre a formalidade legal”, mas “não alcança ainda a finalidade de resolver a grave crise política, econômica, social e ambiental em curso”.

Marina voltou a defender a cassação da chapa Dilma Rousseff/Michel Temer e a realização de novas eleições presidenciais. Ela fez duras críticas aos seus partidos: “o partido do vice-presidente Temer é tão responsável pela crise política, ética e econômica quanto o partido da presidente Dilma”, disse, acusando PT e PMDB de serem os responsáveis pelo “caos atual, pela corrupção, pela incompetência, pelas artimanhas políticas” e “faces de uma mesma moeda”.

A ex-senadora também pediu a saída do presidente da Câmara Eduardo Cunha e do Senado, Renan Calheiros, ambos peemedebistas e citados na Lava Jato.

Apesar de defender novas eleições, Marina Silva recomendou que os deputados da Rede Sustentabilidade votassem a favor da admissibilidade do impeachment de Dilma. A orientação foi seguida por dois dos quatro parlamentares da Rede.

Veja a nota completa de Marina Silva:

A Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade do pedido de impeachment contra a presidente Dilma e o processo deve seguir para o Senado, de acordo com o rito estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal. A Rede Sustentabilidade já havia se posicionado, depois de intensa discussão, pela admissibilidade do impedimento, pois compreende que existem elementos que justificam a abertura de processo de crime de responsabilidade previsto na constituição. No entanto, é importante reforçar que, se o instrumento do impeachment cumpre a formalidade legal, não alcança ainda a finalidade de resolver a grave crise política, econômica, social e ambiental em curso.

Há clareza na sociedade de que o partido do vice-presidente Temer é tão responsável pela crise política, ética e econômica quanto o partido da presidente Dilma. Também há clareza de que Eduardo Cunha não pode continuar na presidência da Câmara dos Deputados e que Renan Calheiros não pode continuar na presidência do Senado, pois ambos estão profundamente envolvidos nos fatos que vêm sendo revelados.

Lideranças políticas do Brasil estão envolvidas em corrupção e querem usar o poder para se esconder das denúncias da operação Lava Jato. Embora hoje se digladiem, há bem pouco tempo os mesmos envolvidos estavam juntos e gestaram o caos atual, pela corrupção, pela incompetência, pelas artimanhas políticas. PT e PMDB são faces de uma mesma moeda, são complementares na sua determinação de manter de pé a política ultrapassada e corrosiva.

A solução passa pela Justiça Eleitoral, que investiga o uso de dinheiro da corrupção para a campanha de Dilma e Temer. A Rede Sustentabilidade confia que o Tribunal Superior Eleitoral julgará com a celeridade possível as denúncias de fraude eleitoral da chapa Dilma/Temer nas eleições de 2014, devolvendo à sociedade o poder de decidir o futuro do país. Afinal, os fiadores da Operação Lava-Jato somos nós, cidadãos e cidadãs, os únicos capazes de escolher um governo com credibilidade para tirar o país da crise. O TSE precisa ter o sentido de urgência para julgar o processo que pede a cassação da chapa Dilma-Temer e convocar novas eleições.

A população tem o direito de dar a palavra final, agora sabendo de tudo o que ficou oculto em 2014, e escolher um novo governo para coordenar os imensos esforços que o Brasil terá de fazer para tirar o país da crise.

A saída passa pelo TSE
Nem Dilma, Nem Temer. Por uma nova eleição!