Marqueteiro de Dilma e Lula será alvo de nova operação da Lava Jato

  • Por Estadão Conteúdo
  • 02/06/2016 09h05
Cintia Reis/ Divulgação João Santana e Mônica Moura

Enquanto avança nas investigações sobre os crimes praticados pela maior empreiteira do País, a Odebrecht, a força-tarefa da Lava Jato já prepara novas denúncias contra o marqueteiro João Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, que atuaram nas campanhas presidenciais de Dilma Rousseff (2010 e 2014) e Luiz Inácio Lula da Silva (2006).

Atualmente, o casal responde a duas ações penais na Operação Lava Jato, acusados de corrupção, organização criminosa e lavagem internacional de dinheiro envolvendo o esquema de corrupção na Sete Brasil, empresa de capital misto criada para produção de sondas do pré-sal, uma companhia fantoche para pagamentos recebidos do “departamento de propina” da Odebrecht no Brasil e no exterior.

Segundo a Procuradoria da República no Paraná, serão “em breve” apresentadas duas novas denúncias envolvendo a suposta evasão de divisas do casal, que só declarou possuir a conta na Suíça em nome da offshore Shellbill Finance, que recebeu quantias milionárias de um dos operadores de repeasses financeiros na Petrobrás pós-Lava Jato. Esse trâmite facilitava a suposta lavagem de dinheiro por meio da “ocultação e dissimulação da origem ilícita dos recursos utilizados para a aquisição de imóvel em proveito do casal”. As informações estão em documento encaminhado ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato no Paraná.

Um dos imóveis do casal, preso desde fevereiro passado, está na mira dos investigadores: um apartamento 8W, na 19ª Avenida, em Nova York, que está registrado em nome de uma empresa aberta por eles, no ano de 2009, em El Salvador.

Ao quebrar o sigilo dos e-mails de Mônica, a PF destaca que o local era indicado por ela e sua filha em diversas mensagens como endereço para a entrega de compras feitas por elas na internet.

“Não há, no entanto, declaração ao Fisco do imóvel de Nova York, existindo dolosa intenção de ocultá-lo das autoridades brasileiras”, diz a PF no relatório que analisou as mensagens.

Acusações

Fruto da 26ª fase da Lava Jato, a Operação Xepa, objeto da primeira denúncia contra o casal, tem como foco os pagamentos para o marqueteiro do PT feitos pelo “setor profissional de propinas” da Odebrecht. Segundo o Ministério Público Federal, a mega empreiteira tinha conhecimento do setor e, inclusive, teria atuado para desmontá-lo e proteger os funcionários das investigações.