MEC volta atrás e fará avaliação de alfabetização infantil por amostragem

  • Por Jovem Pan
  • 02/05/2019 13h04 - Atualizado em 02/05/2019 15h18
Luis Fortes/Ministério da EducaçãoAté a última prova, feita em 2016, os exames de leitura, escrita e matemática eram aplicados com todas as crianças do 3º ano do ensino fundamental

O ministro da Educação, Abraham Weitraub, anunciou nesta quinta-feira (2), que a alfabetização das crianças será avaliada por meio de amostra em 2019. O índice, que costumava ser elaborado por censo universal, precisou ter a abrangência diminuída por falta de recursos, segundo o chefe da pasta.

“Nós estamos com o orçamento contingenciado, acabamos de chegar aqui”, justificou o ministro. “De fato, a verba para o MEC está mais baixa, estamos nos redobrando para trabalhar. Mas se eu pudesse decidir, faria a avaliação de forma universal para todos os anos”.

Até a última prova, feita em 2016, os exames de leitura, escrita e matemática eram aplicados com todas as crianças do 3º ano do ensino fundamental. Agora, haverá uma amostra de escolas públicas e privadas e o ano avaliado será o 2º, ou seja, crianças de 7 anos e não mais de 8. A faixa etária avaliada segue o que está determinado na nova Base Nacional Curricular Comum (BNCC)

Especialistas temem que a mudança possa prejudicar a análise da série histórica dos resultados. A última avaliação de alfabetização no país mostrou que mais de 50% das crianças não tinham desempenho considerado suficiente em leitura e escrita. Elas não conseguiam localizar informações em textos de literatura infantil ou escrever corretamente palavras como lousa e professor.

Weintraub afastou a possibilidade de que a mudança afete a análise medida ao longo dos anos. “Prejudicaríamos a visualização da série histórica se parássemos de fazer a avaliação, o que não fizemos” , defendeu. “Há tratamentos econométricos razoavelmente simples e robustos para adaptar esses resultados ao que já foi medido antes”.

O exame de alfabetização faz parte do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que existe desde os anos 90 no Brasil e aplica testes de Português e Matemática. São a partir dos resultados do Saeb que o MEC calcula o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que se tornou o grande indicador de qualidade do ensino no País.

A prova havia sida cancelada completamente pela gestão do ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez, primeiro nomeado na pasta pela gestão de Jair Bolsonaro. Depois de intensa repercussão negativa, já que a alfabetização é considerada etapa crucial para o desenvolvimento escolar do aluno, o governo voltou atrás.

O MEC vai manter ainda as avaliações para os estudantes do fim dos ciclos do ensino fundamental, ou seja, 5º ano e 9º ano, e do ensino médio, no 3º ano. Serão provas para todos os alunos, de Português e Matemática. Uma amostra dos estudantes do 9º ano fará ainda provas de Ciências da Natureza e Ciências Humanas pela primeira vez.

Com Agência Estado