Medicamento desenvolvido pela UFG reverte overdose de cocaína

  • Por Jovem Pan
  • 10/05/2019 15h22
Agência BrasilNanopartícula retém cocaína que está no sangue e evita que substância se espalhe pelo organismo

A Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveu um medicamento capaz de evitar os efeitos da cocaína no sangue, até mesmo quando consumida em quantidades que causam “overdose”. Uma “nanopartícula” captura a cocaína do sangue e não deixa ela se espalhar pelo organismo.

“Possibilita, então, que haja tempo para uma terapia de resgate”, explica a professora de nanotecnologia aplicada à área farmacêutica Eliana Martins Lima.

A capacidade de captura da droga é de 70%.

A autora da pesquisa, Sarah Rodrigues Fernandes, diz que o retorno da pressão arterial e os batimentos cardíaco é quase imediato.

“A pressão arterial e os batimentos cardíacos começam a voltar ao normal cerca de dois minutos após a administração da nanopartícula que desenvolvemos”, diz.

A cocaína aprisionada na partícula é retida pelo fígado na passagem da corrente sanguínea e é destruída no metabolismo.

“O que nós buscamos com isso foi viabilizar uma forma de que, no momento em que o paciente começa a perder sinais vitais, seja possível ao médico ou ao Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] salvá-lo, reduzindo aquela dose tóxica que está na corrente sanguínea”, acrescenta Lima, que trabalhou como professora visitante no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

A eventual disponibilização do medicamento para uso no socorro de pessoas em processo de overdose depende de parceria entre a universidade e laboratórios farmacêuticos. Até poder ser utilizado em seres humanos, o medicamento deve ser submetido a testes clínicos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nanotecnologia

Além de obter resultados quase imediatos para diminuir os efeitos da cocaína, a pesquisa muda e acrescenta o modo de usar nanotecnologia em terapias com medicamentos.

Desde os anos 1990, a nanotecnologia é utilizada para levar de forma mais eficaz partículas aos alvos no organismo que precisam de recuperação e proteção. O experimento mostra que a nanotecnologia também pode ser proveitosa para buscar e aprisionar substâncias e reverter um quadro crítico.

As chamadas partículas nanométricas são extremamente pequenas (1 nanômetro é 1 milhão de vezes menor que o milímetro) e, por isso, eficientes na circulação sanguínea.