Medicamento para o HIV mostra efeito promissor contra o Covid

O estudo feito pela Fiocruz motrou resultados melhores do que o remédio cloroquina

  • Por Jovem Pan
  • 06/04/2020 21h45
ReproduçãoAlém de inibir a replicação viral, ele também apresenta ação no trato respiratório

Um remédio usado comumente no tratamento da Aids e fabricado em larga escala no Brasil tem um efeito promissor no combate à Covid-19, segundo uma pesquisa da Fiocruz.

O estudo realizado in vitro constatou que o medicamento Atazanavir é capaz de inibir a replicação do novo coronavírus, além de reduzir a produção de proteínas que estão ligadas ao processo inflamatório nos pulmões e, portanto, ao agravamento do quadro clínico da doença. Os especialistas também investigaram o uso combinado do Atazanavir com o Ritonavir, outro medicamento utilizado para combater o HIV.

A pesquisa foi publicada no domingo (5) na plataforma internacional BiorXiv, em formato de pré-print, seguindo a tendência dos estudos feitos em meio a emergência sanitária. Como se trata de uma substancia usada há muito tempo. e em segurança, pode ser testada imediatamente em seres humanos.

“A análise de fármacos já aprovados para outros usos é a estratégia mais rápida que a ciência pode fornecer para ajudar no combate à Covid-19, juntamente com a adoção dos protocolos de distanciamento social já em curso”, aponta o virologista Thiago Moreno, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), principal autor do estudo.

Considerando que trabalhos científicos anteriores já haviam apontado os inibidores de protease (substancias que inibem a replicação viral) em geral como substâncias promissoras na busca de medicamentos para o novo coronavírus, os pesquisadores voltaram seus olhos para o potencial do uso do Atazanavir em particular.

Além de inibir a replicação viral, ele também apresenta ação no trato respiratório, o que chamou a atenção dos cientistas na fase de seleção das substâncias a serem investigadas.

Os pesquisadores realizaram três tipos de análises: observaram a interação molecular do Atazanavir com o vírus SARS-CoV-2, realizaram experimentos com esta enzima e testaram o medicamento in vitro, em células infectadas. Também foram realizados experimentos comparativos com a cloroquina, que vem sendo incluída em diversos estudos clínicos mundialmente. Neste caso, os resultados obtidos apenas com o Atazanavir e em associação com o Ritonavir foram melhores que os observados com a cloroquina.

“Não se trata de uma competição; quanto mais substancias promissoras, melhor”, frisou Moreno. “Se a cloroquina fosse 100% eficaz, não teríamos mais nenhuma morte. Mesmo que ela seja aprovada como tratamento padrão, muita gente não poderá usá-la, devido aos efeitos colaterais, então é sempre positivo termos alternativas.”

A pesquisa, coordenada pelo CDTS/Fiocruz, envolve também cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) – incluindo os Laboratórios de Vírus Respiratórios e do Sarampo, de Imunofarmacologia, de Biologia Molecular e Doenças Endêmicas, e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), além do Instituto DOr de Pesquisa e Ensino e da Universidade Iguaçu.

* Com informações do Estadão Conteúdo