“Mesmo em ano de eleição, Congresso deve discutir Rota 2030”, diz ministro

  • Por Estadão Conteúdo
  • 06/08/2018 17h02
José Cruz/Agência BrasilMinistro participou de almoço-debate promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide) e discutiu diversos assuntos

Mesmo num período eleitoral, o Rota 2030 – programa que define regras para a fabricação dos automóveis produzidos e comercializados no Brasil nos próximos 15 anos – deverá ser discutido pelo Congresso, disse nesta segunda-feira (6) o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge, durante almoço-debate promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

“Acredito que sim, será discutido, porque é um programa que interessa a todos. Quer seja ao Estado de São Paulo, que tem atividade industrial automotiva forte e importante, como as regiões Sul e Nordeste, que têm essa discussão presente”, disse o ministro, acrescentando que não tem visto falta de disposição por parte do Congresso para analisar a medida, que é um programa de longo prazo que objetiva investimentos tanto em pesquisa e desenvolvimento como em veículos mais seguros e menos poluentes

Argentina 

Sobre a negociação da expansão do acordo automotivo com a Argentina, o ministro Marcos Jorge reiterou que o acordo vigente que vai até 2020. Isso, na avaliação dele, já confere previsibilidade ao setor no Brasil. Mas disse que as negociações estão sobre a mesa para verificar quais são os limites de cada lado.

“A Argentina, obviamente, tem suas sensibilidades, acabou de passar por uma crise importante e nós temos a preocupação por manter o equilíbrio entre as partes”, disse o ministro.

Ele acrescentou que, da parte do Brasil, as negociações estão sendo tocadas de forma muito serena, já que os dois países têm tempo adequado para verificar o que é melhor para eles.

Valorização da soja brasileira

A guerra fiscal entre Estados Unidos e China, as duas maiores economias globais, poderá levar a uma valorização da soja no mercado brasileiro, o que deve encarecer a ração destinada à pecuária, disse o ministro.

De acordo com o ministro, se a China parar de comprar soja dos produtores norte-americanos, a demanda chinesa passará a ser suprida pelo grão produzido em solo brasileiro, o que levaria ao aumento do preço da oleaginosa.

“A ração é um produto importante que vai para o gado, que é um produto importante das exportações brasileiras”, disse o ministro, acrescentando que no médio prazo o acirramento da tensão comercial entre EUA e China poderá trazer efeitos negativos por conta guerra comercial potencial. Outro fator que, segundo Jorge, tem sempre que ser levado em conta “é que qualquer diminuição de troca comercial e de fluxo no mundo vai impactar todos os países”. “Então o que nós defendemos é um multilateralismo e o livre comércio”, acrescentou.

No momento, segundo Marcos Jorge, o comércio exterior brasileiro ainda não está sentindo os efeitos do recrudescimento das relações comerciais entre Estados Unidos e o gigante asiático.

“O que nós levamos para o governo chinês, quando da reunião bilateral que tivemos entre o presidente Temer e o presidente Xi Jinping em Johannesburgo, foi a possibilidade de a China estar abrindo a porta para derivados da soja, como óleo e soja moída”, disse o ministro, para quem tal transação serviria também, além do acesso a mercado e adensamento das nossas exportações, como potencial regulador de mercado.”Estamos atentos e tomando medidas para que não tenhamos prejuízos às nossas exportações”, afirmou.

Agenda comercial

O ministro disse que, internamente, a pasta está revisando o seu estoque regulatório por meio da Secretaria Executiva da Câmara de Comercio Exterior (Camex). De acordo com ele, a primeira agenda regulatória é um instrumento inédito de planejamento que visa a auxiliar a verificação e organização de temas que serão acompanhados pela Camex até o fim de 2019.

“A agenda reguladora comercial do Brasil está em linha com as recomendações da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e tem como objetivo promover a transparência e a previsibilidade do comércio exterior brasileiro”, disse o ministro em palestra que fez durante almoço-palestra promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo.

O ministro fez uma avaliação do desempenho do comércio exterior do Brasil no período de sete meses compreendido de janeiro a julho e reiterou o crescimento próximo de 13% da corrente de comércio brasileira. “Apesar do acirramento das tensões mundo a fora, vejo que o comércio exterior permanece dinâmico e com grandes oportunidades. Por isso temos trabalhado com determinação para integrar ainda mais o Brasil no mundo”, disse Marcos Jorge.

O ministro disse que o aumento das exportações é fundamental para garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável de todos os elos da economia. Ele destacou o aumento dos embarques no ano passado como peça fundamental para o crescimento do PIB.

“Nossas vendas externas cresceram 18,5%, com destaque para aumento das exportações de produtos manufaturados, como automóveis de passageiros, de carga, máquinas e equipamentos, aço e calçados. Ressalto que para cada US$ 1,5 bilhão em manufaturados exportados há o envolvimento de até 50 mil postos de trabalho”, disse o ministro.

Marcos Jorge também lembrou que as importações tiveram o primeiro crescimento após três anos, caracterizadas com “um perfil saudável de aquisição de bens intermediários e insumos industriais e agrícola”. “Isso demonstra que a economia brasileira se preparava para produzir mais e retomar a sua atividade”, afirmou.