Metrô de SP consegue liminar e vai manter operação em dia de greve

No horário de pico, 95% dos serviços vão funcionar, e 65% nos demais; serão afetadas as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha, e 15-Prata

  • Por Jovem Pan
  • 27/07/2020 17h45 - Atualizado em 27/07/2020 17h49
EFE/Sebastião MoreiraFuncionários protestam contra diminuição e corte de “vários direitos dos metroviários nos salários de junho”

A Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) conseguiu na Justiça uma liminar parcial que determina o percentual mínimo de operação dos trens nesta terça-feira, 28, quando deve ocorrer uma greve dos metroviários. A decisão foi tomada na manhã desta segunda-feira, 27, em audiência de conciliação entre representantes do sindicato dos trabalhadores e da empresa de transporte público. Ainda nesta tarde, a categoria vai decidir se mantém ou não a paralisação.  Os funcionários protestam contra diminuição e corte de “vários direitos dos metroviários nos salários de junho”. Os trabalhadores já tinham planejado uma greve para 1º de julho, que foi adiada para o dia 8 a pedido do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

Segundo a Justiça do Trabalho de São Paulo (TRT-2), o Metrô deve manter 95% do funcionamento dos serviços no horário de pico (das 6h às 9h e das 16h30 às 19h30) e 65% nos demais. Serão afetadas as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha, e 15-Prata. O tribunal afirmou que “os porcentuais estabelecidos dizem respeito à prestação do serviço e não à mão de obra devidamente colocada para tanto”. Caso a liminar não seja respeitada, a Justiça estabeleceu multa diária de R$ 150 mil aos trabalhadores e R$ 500 mil à empresa.

Na audiência judicial, o Ministério Público do Trabalho apresentou uma proposta de acordo temporário, informou o sindicato, pelo qual o acordo coletivo da categoria com o Metrô voltaria após seis meses, com pagamento dos descontos salariais anteriores. Porém, a entidade disse que a companhia não aceitou. Ainda nesta tarde, o sindicato vai discutir o assunto em assembleia e definirá se mantém ou não a greve.

Reivindicações

Camila Lisboa, coordenadora da entidade, disse na última quinta-feira, 23, que a categoria foi surpreendida com um aviso da empresa, por e-mail, de mais um corte de 10%. O Metrô de São Paulo estaria em uma crise de receita e essa seria uma das medidas para amenizar a situação. O sindicato pede, ainda, recuo de reduções impostas pela companhia, como de adicional noturno e risco de vida. A justificativa de crise não convence a categoria, segundo explicou Alex Santana, diretor da Federação Nacional dos Metroferroviários (Fenametro). “O relatório do Metrô mostra uma defasagem de quase 2 mil metroviários, mas mesmo assim os índices melhoraram, e nos últimos cinco anos houve aumento da receita, tarifária e não tarifária, e diminuição de despesas.”

* Com informações do Estadão Conteúdo