‘Militar nunca teve privilégio no Brasil’, diz Bolsonaro em novo pedido por mudanças no texto da Previdência

  • Por Jovem Pan
  • 04/07/2019 11h21
ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO CONTEÚDOPresidente ligou para parlamentares ontem para tentar primeiro acordo, que foi negado

Poucas horas depois de tentar um acordo com líderes do Congresso Nacional, para que eles flexibilizassem as regras de aposentadoria de policiais no texto da reforma da Previdência – o que não foi acatado -, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a fazer um apelo pelas mudanças para a categoria. Em discurso durante café da manhã no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (4), ele defendeu os policiais e negou a existência de privilégios.

“Estamos discutindo aqui a questão da nova Previdência e estamos com problema na questão de policiais militares, também policiais federais e rodoviários federais. Quero deixar claro que policial militar nunca teve privilégio no Brasil, então qualquer discurso para mudança de policial militar, se fala de restabelecer privilégio, isso não é verdade”, declarou o presidente.

Alvo de protestos da categoria, quando foi chamado de traidor, Bolsonaro voltou a pedir que os parlamentares atendessem à demanda. mesmo que parcialmente. “Apelo aos senhores nessa questão específica, vamos atender, que seja em parte, porque os policiais militares são mais do que nossos aliados, são aqueles que dão as suas vidas por nós todos brasileiros. O mesmo no tocante a policial federal e polícia rodoviária federal. “, disse.

Ele também confessou que o governo errou ao estabelecer as regras para os policiais. “Tem um equívoco que nós, governo, erramos e dá para resolver essa questão através do bom senso de todos os senhores”, afirmou, reforçando que “o discurso de alguns como se nós quiséssemos privilegiar também PF e PRF não procede.”

Tentativas

Na quarta-feira (3), o presidente admitiu que sugeriu mudanças para a aposentadoria de policiais no texto da reforma da Previdência. “Eu fiz uma excelente proposta, não aceitaram. Agora vai para o voto”, lamentou, ressaltando que “o problema é que ninguém quer perder nada”. Na data, ele também voltou a afirmar que “todos têm que dar sua contribuição“.

O presidente fez o comentário durante coquetel da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, para celebrar o aniversário de 243 anos de independência americana. Depois, confrontando com a informação de que o acordo que contemplava os policiais foi derrubado, ele respondeu que “na Previdência todo mundo vai ter que contribuir”.

Acordo

O acordo, que acabou não sendo fechado, permitia que a categoria conseguisse se aposentar com idade mínima de 53 anos (homem) e 52 anos (mulher), ao contrário de 55 anos para ambos os sexos, como previsto na proposta em tramitação, com 30 anos de contribuição.

Na transição, eles também teriam o direito ao último salário da carreira (integralidade) e reajustes iguais aos da ativa (paridade) desde que cumprissem um pedágio de 100% sobre o tempo que faltasse para trabalhar. Ou seja, se faltarem dois anos, o agente teria que trabalhar mais quatro anos.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o acordo fracassou. “Uma concessão a policiais poderia gerar efeito cascata”, disse Maia, após reunião com Moreira e o presidente da comissão especial, Marcelo Ramos (PL-AM). “Bolsonaro deve ter ligado para parlamentares. É legítimo que o presidente ache que um bom acordo é melhor que um confronto”, avaliou Maia.

*Com Estadão Conteúdo