Militares teriam confundido carro de músico com o de bandidos

  • Por Jovem Pan
  • 08/04/2019 15h30
DivulgaçãoMilitares explicaram que região é muito próxima da Vila Militar e, por isso, dentro do perímetro de atuação do Exército

O carro do músico atingido por tiros de fuzil 80 vezes no domingo, 7, teria sido confundido com o de bandidos que estavam agindo nas proximidades do Piscinão de Ramos, em Guadalupe, na zona norte do Rio. Evaldo dos Santos Rosa estava com a família indo para um chá de bebê.

Leonardo Salgado, delegado que que está investigando o caso, afirmou que “tudo indica” que o carro foi confundido com um carro de assaltantes.

“Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com o carro de bandidos. Mas neste veículo estava uma família”, contou Salgado.

“Não foi encontrada nenhuma arma (no carro). Tudo que foi apurado era que realmente era uma família normal, de bem, que acabou sendo vítima dos militares.”

O delegado reclamou do fato de os militares não terem prestado depoimento à polícia civil.

“Não vejo legítima defesa”, disse o delegado sobre o fuzilamento do carro. “Pela quantidade de tiros, tudo aponta para prisão em flagrante.”

O Comando Militar do Leste (CML) informou que os militares teriam se deparado com um assalto em andamento e que os criminosos, que estariam dentro do carro, teriam aberto fogo. Os militares explicaram que a região é muito próxima da Vila Militar e, por isso, dentro do perímetro de atuação do Exército. Mas o uso da força só pode ocorrer “de acordo com as normas do engajamento”.

Mais tarde, no entanto, o CML enviou outra nota em que informava que já estava em andamento “uma apuração preliminar da dinâmica dos fatos ocorridos” e que já tinham começado a ser coletados “os depoimentos de todos os militares envolvidos e de todas as testemunhas civis na Delegacia de Polícia Judiciária Militar”. O Ministério Público Militar deve supervisionar toda a ação.

Investigação

A deputada estadual Renata Souza (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), afirmou há pouco que pretende entrar no Ministério Público Federal com uma representação pedindo à instituição que investigue o ocorrido.

“Precisamos entender o que houve”, afirmou Renata Souza. “O que significa 80 tiros em um carro numa tarde de domingo na zona norte?”

A deputada lembrou que na última sexta-feira, Christian Felipe Santana de Almeida Alves, de 19 anos, foi morto por militares do Exército durante blitz na Estrada Pedro de Alcântara, em Realengo, na zona oeste. Ele estava na garupa da moto pilotada por um amigo de 17 anos. O Comando Militar do Leste informou, na ocasião, que os jovens não obedeceram à ordem de parada e furaram o bloqueio. A família contesta a versão.

“Não é o primeiro incidente”, afirmou Renata Souza. “Na semana passada um jovem foi assassinado pelas costas. É preciso saber se já estamos vivendo a política do abate”

*Com informações do Estadão Conteúdo