Ministro da Defesa diz que caso de militar preso por transporte de cocaína é ‘fato isolado’

  • Por Jovem Pan
  • 27/06/2019 17h49
Dida Sampaio/Estadão ConteúdoFernando Azevedo e Silva afirmou que foi o "maior desvio ético da história das Forças Armadas"

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou nesta quinta-feira (27) que o caso do militar que foi detido por suspeita de envolvimento no transporte de 39kg de cocaína foi o “maior desvio ético da história das Forças Armadas” e que “representa um fato isolado” na organização. “Ressalto que não vamos admitir criminosos entre nós. Houve a quebra de confiança, própria da cultura militar que para nós é tão clara”, completou.

De acordo com ele, o “que o sargento fez não representa os valores dos cerca de 400 mil militares das Forças Armadas, que são pautados por princípios éticos e morais”. Azevedo e Silva declarou ainda que “está comprovada a culpa desse militar” e que “se trata de um caso inadmissível”.

O homem, cujas iniciais do nome são M.S.R., foi detido nesta terça (25) no aeroporto de Sevilha, na Espanha. Segundo o Ministério da Defesa, os fatos estão sendo apurados e foi determinada a instauração do Inquérito Policial Militar (IPM). O militar estava transportando a droga em sua bagagem em um avião da Força Aérea Brasileira.

O ministro disse que o caso será julgado pela Justiça da Espanha, em conjunto com a própria Justiça brasileira, conforme a lei de ambos os países. “Agiremos com total transparência e tudo que puder ser divulgado, e não comprometer as investigações, será divulgado”, assegurou.

Azevedo e Silva participou de uma coletiva nesta tarde com o porta voz do Comando da Aeronáutica, Major Aviador Daniel Rodrigues Oliveira.

Assista:

“Falta de sorte”

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, chamou a prisão de “falta de sorte”. O caso ocorre às vésperas da reunião de cúpula do G-20, no Japão, para onde o presidente Jair Bolsonaro viajou nesta semana. “Podia não ter acontecido, né? Foi uma falta de sorte acontecer exatamente na hora de um evento mundial e acaba tendo uma repercussão mundial que poderia não ter tido. Foi um fato muito desagradável”, afirmou Heleno, ao comentar o caso em Osaka, no país asiático.

Ele minimizou, contudo, o impacto da prisão na imagem do Brasil. “Se mudar a imagem do Brasil por causa disso, realmente, só se a gente não estivesse sabendo da quantidade de tráfico de droga que tem no mundo.”