Ministro defende ‘disciplina’ nas redes sociais: ‘Podem ajudar ou tumultuar’

  • Por Jovem Pan
  • 05/04/2019 16h57
Fátima Meira/Estadão ConteúdoPara Santos Cruz, mídias não devem ser "arma para a discórdia"

Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da Secretaria de Governo, defendeu, em entrevista exclusiva à Jovem Pan nesta sexta-feira (5), o uso “disciplinado” das redes sociais. De acordo com ele, as mídias digitais devem ser um instrumento utilizado pelo governo para a divulgação de ideias e projetos, mas precisam ser tratadas com cuidado para não dar margem a “distorções” de “grupos radicais”.

“A influência da mídia, hoje com o digital e toda essa capacidade de todo mundo se comunicar, pode ajudar e tumultuar. Peço que as pessoas tenham cuidado, não ataquem as outras, não façam disso uma arma para a discórdia, mas, sim, para o Brasil ir para frente”, declarou a Vera Magalhães. A conversa foi gravada em Boston, nos Estados Unidos, durante o Brazil Conference at Harvard & MIT e exibida no programa 3 Em 1.

“A rede pode ser um instrumento do governo para a divulgação de ideias e projetos. Tem que ser. Mas tem que ser usada com cuidado [para evitar] distorções de grupos radicais, sejam eles de uma ponta ou de outra. Tem que ser disciplinado. A própria legislação tem que ser melhorada. E as pessoas de bom senso tem que começar a atuar mais para chamar todo mundo a essa consciência”, completou.

O ministro também comentou as discussões envolvendo a tramitação da reforma da Previdência no Congresso Nacional. Destacando que a mudança para a Nova Previdência deve ser realizada com “harmonia entre os três poderes”, disse que um primeiro momento de tumulto no debate é natural e logo deve ser superado.

“Tem que ter tranquilidade. A população acha que quem governa é o presidente. Não é. A harmonia entre os poderes é fundamental. Acho que [a reforma] vai passar, sim. A importância da modificação na Previdência é reconhecida por todos, só na maneira de se fazer é que existem discordâncias – que serão ajustadas no Congresso. O processo de estudo na Câmara é normal, a proposta vai ser aperfeiçoada, temos que acreditar. Depois no Senado também. Vai dar certo. Esse período de ‘furacão’ é esperado. O vento vai passar.”

Gastos com publicidade “não podem ser passivos de pressões”

Questionado sobre as atribuições da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), órgão responsável pelo gerenciamento de contratos publicitários firmados pelo Governo Federal, Santos Cruz se disse preocupado com as “irresponsabilidades”. Para ele, a liberação de verbas publicitárias não pode ser “passiva de pressões”.

“Com esse problema, temos que tomar muito cuidado para não ser irresponsável. O ponto básico da administração pública é a responsabilidade com o gasto público. Você não pode ser passivo de pressões para liberar ou não. Você gasta o dinheiro de acordo com a necessidade. É dinheiro público, dinheiro do cidadão brasileiro. Não se pode ficar gastando de maneira descabida. Tudo tem que estar plenamente justificado”, concluiu.