Moro diz que ‘não tem apego ao cargo’ e que sairia se houvesse alguma irregularidade

  • Por Jovem Pan
  • 19/06/2019 16h58
Pedro França/Agência SenadoMinistro declarou não estar com medo da revelação de novos conteúdos

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, prestou esclarecimentos nesta quarta-feira (19) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal sobre o vazamento da suposta troca de mensagens entre ele e o procurador Deltan Dallagnol.

Em resposta ao senador petista Jaques Wagner, Moro afirmou que não tem “nenhum apego ao cargo” e que sairia dele se houvesse alguma irregularidade na sua conduta enquanto magistrado.

“Então o site apresente tudo, e aí a sociedade vai poder ver de pronto se houve alguma incorreção da minha parte, eu não tenho nenhum apego pelo cargo em si. Apresente tudo, vamos submeter isso ao escrutínio público. E se houve ali irregularidade da minha parte, eu saio, mas não houve, porque eu sempre agi com base na lei”, disse.

“Não estou com medo”

Ao explicar as supostas mensagens trocadas com procuradores da Lava Jato, o ministro declarou não estar com medo da revelação de novos conteúdos e minimizou o caso afirmando que há um “estardalhaço” e sensacionalismo em torno da divulgação.

“Não estou com medo, não. Dizem: ‘Ah, tem muito mais coisa’. Divulguem tudo de uma vez. Daí, a gente analisa, o Senado analisa, as pessoas analisam”, declarou Moro. Ele defendeu que o site “The Intercept Brasil” deveria submeter o conteúdo a uma autoridade independente, como o Supremo Tribunal Federal (STF).

Moro falou várias vezes que não tem dúvida da correção de seu trabalho quando era juiz da Lava Jato. Além disso, ele declarou que a troca de supostas mensagens entre magistrados e procuradores é normal e não pode ser vista como um crime. “Isso é algo em que foi feito um estardalhaço, um sensacionalismo relativo a supostas mensagens que tratam de operações. São relativos a decisões já deferidas. Onde é que está o comprometimento da imparcialidade? É zero. Zero.”

Depois de 8h30 de reunião, a presidente da CCJ, Simone Tebet, encerrou a audiência com o ministro agradecendo a participação de todos e lembrando que “o Senado fez jus à condição de ser a casa do diálogo e do equilíbrio”.