Moro retira parte de sigilo da delação de Palocci

  • Por Jovem Pan
  • 01/10/2018 15h32
EFE/HEDESON SILVAAlém disso, o ex-ministro confirma que Lula simulava indignação toda vez que uma denúncia de irregularidade era dita ao ex-presidente

Nesta segunda-feira (1), o juiz Sergio Moro retirou o sigilo de parte do acordo de delação de Antonio Palocci, ex-ministro de Luiz Inácio Lula da Silva, no âmbito da Operação Lava Jato. Homologada pelo desembargador Gebran Neto, do TRF-4, ela mostra detalhes de esquemas de propina montados pelo partido com a Petrobras e o pré-sal, além de citar irregularidades na aprovação de Medidas Provisórias (MPs).

O primeiro anexo obtido pela Jovem Pan diz respeito ao “loteamento de cargos na Petrobras e sua utilização pelo governo federal para prática de crimes”. Palocci trata da divisão interna no governo entre o seu grupo, mais programático, e o de Zé Dirceu, mais pragmático. Mesmo que as linhas propostas fossem diferentes na relação com os partidos de base, os dois cometeram crimes.

O “grupo de Palocci”, de acordo com o próprio ex-ministro, era formado por Miro Teixeira – candidato ao Senado -, o ex-deputado José Genoíno e o falecido Luiz Gushiken. O outro grupo, de Dirceu, era integrado por Marco Aurélio Garcia – também falecido -, e algumas vezes Dilma Rousseff.

Ainda segundo Palocci, as empresas de marketing e propaganda contratadas pela Petrobras na gestão de Wilson Santarosa “destinavam cerca de 3% dos valores dos contratos de publicidade ao PT através dos tesoureiros”.

O gestor, que comandava a Gerência Executiva de Comunicação Institucional da estatal, foi líder do Sindicato dos Petroleiros do PT de Campinas, interior de São Paulo, e era ligado a “Lula, Luiz Marinho e Jacob Bittar”.

No mesmo anexo, Palocci relata que “era comum Lula, em ambientes restritos, reclamar e até esbravejar sobre assuntos ilícitos que chegavam a ele e que tinham ocorrido por sua decisão; que a intenção de Lula era clara no sentido de testar os interlocutores sobre seu grau de conhecimento e o impacto de sua negativa”.

Além disso, o ex-ministro confirma que Lula “simulava indignação” toda vez que uma denúncia de irregularidade era dita ao ex-presidente. Entretanto, os crimes era autorizados pelo próprio Lula.