Mourão é ironizado por membro da Organização Pan-Americana de Saúde: ‘Brasileiros não retornariam de Miami’

  • Por Jovem Pan
  • 27/11/2018 20h41
Wilton Júnior/Estadão ConteúdoMourão havia dito que "metade dos cubanos" não voltaria a Cuba

Uma semana depois de dizer que metade dos cubanos não voltaria à ilha após o fim da cooperação do programa Mais Médicos, o vice-presidente eleito Hamilton Mourão (PRTB), teve sua declaração ironizada por Joaquim Molina, que é o representante no Brasil da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

“Metade dos brasileiros não retornaria caso fizessem um programa em Miami [nos Estados Unidos]”, disse Molina. “Há sempre uma atração pelo diferente.” Ele disse que não há, no momento, uma estimativa de quantos profissionais recrutados em Cuba pela Opas devem ficar no País. O representante fica no cargo até dezembro, quando se aposenta.

Joaquim Molina fez questão de lembrar que o Mais Médicos garantiu o acesso da população mais necessitada à saúde e ajudou o Brasil a resolver um problema que havia anos se agravava: a falta de médicos em locais mais distantes. “É um projeto lindo”, resumiu, em cerimônia realizada nesta terça-feira (27).

“O Brasil estava numa situação desesperadora. Eram milhares de postos vagos, lançados em anos sucessivos, que não eram ocupados ou, em alguns casos, eram preenchidos de forma parcial. Com médicos trabalhando 8 horas, 12 horas por semana, quando muitas vezes o acertado eram 40 horas”, afirmou.

Sobre as dúvidas lançadas pelo presidente eleito à formação de profissionais sem registro no País, Molina afirmou que médicos cubanos trazidos para atuar no País são especializados em atenção básica. “Nunca foram enviados para o Brasil médicos recém-formados. Além disso, os profissionais estavam sob supervisão”, completou.

Declaração

No último dia 19, ao falar do programa Mais Médicos, Mourão disse que apostava na permanência de metade dos médicos cubanos no Brasil. Para o general, os profissionais acabariam “preferindo” ficar no País porque “gostam daqui”.

*Com informações do Estadão Conteúdo