MP denuncia por desacato empresário que humilhou policiais em Alphaville

PM foi chamada para atender a uma ocorrência de violência doméstica

  • Por Jovem Pan
  • 08/06/2020 18h24
ReproduçãoApós o episódio, também circulou nas redes sociais vídeo em que o empresário pede desculpas aos policiais

O Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia nesta sexta-feira (5) contra o empresário Ivan Storel, de 49 anos, que xingou, ofendeu e ameaçou policiais militares que foram no último dia 29 até sua residência no Condomínio Alphaville 5, bairro nobre do município de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, para atender a uma ocorrência de violência doméstica. O empresário é acusado de desacato a funcionário público e oposição à execução de ato legal.

“Você é um bosta, é um merda de um PM que ganha mil reais por mês, eu ganho 300 mil reais por mês. Quero que você se fo.., seu lixo do ca….. . Você não me conhece. Você pode ser macho na periferia, mas aqui você é um bosta. Aqui é Alphaville, mano”, gritou o empresário a um dos PMs, como registra vídeo que viralizou nas redes sociais.

Violência doméstica

A policia foi acionada pela mulher de Ivan, que relatou às autoridades que seu marido estava sob efeito de bebidas alcoólicas e durante todo o dia a ofendeu com diversos xingamentos na frente da filha.

Tendo em vista que a esposa de Ivan foi vítima de violência doméstica durante a quarentena, a promotora Renata Caetano Pereira da Silva Fuga, que assina a denúncia, solicitou a expedição de ofício à Patrulha Maria da Penha para acompanhamento do caso.

A promotora deixou de oferecer acordo de não persecução penal ao empresário, uma vez que houve “crime de resistência praticado mediante emprego de grave ameaça”, mas ofereceu uma proposta de suspensão condicional do processo a Ivan, medida que possibilita, após o denunciado cumprir certos requisitos por determinado tempo, a extinção da punibilidade.

Se aceitar a proposta, Ivan deverá cumprir uma série de medidas por dois anos, como o comparecimento mensal e juízo, a proibição de alterar endereço e deixar a região por mais de 15 dias e a proibição de frequentar bares, boates e demais locais em que haja consumo de bebida alcoólica.

O acordo também prevê pagamento de multa de R$ 100 mil e o comparecimento de Ivan, juntamente de sua esposa, ao Núcleo de Prevenção de Acidentes e Violências de Santana de Parnaíba, para que passem por eventual tratamento determinado pelo setor psicológico, tendo em vista o relato de violência doméstica.

Vídeo

Em vídeo que viralizou nas redes sociais, é possível ver o momento em que Ivan Storel aparece na porta de sua residência e começa a ofender com palavras de baixo calão os policiais, em especial um PM que está posicionado a alguns metros em sua frente, com os xingamentos acima citados.

Ao telefone, Storel pediu ajuda a uma pessoa que chama de Marinho. “Por favor, vem para cá agora. Porque um f… de um m… (palavrões). Você é secretário, vem para cá e me ajuda. Porque esse b…, esse gordo, f…, está achando que é o quê (apontando para o policial). Por favor Marinho, vem aqui e me ajuda (supostamente o secretário de Relações Institucionais de Barueri, Marinho Trimboli Jr.)”.

Ele pediu ainda para trazer outras autoridades ao local. “Marinho vem pra cá agora, traz o secretário de segurança, traz o secretário que tiver que trazer. Traz o Furlan (supostamente o prefeito de Barueri, Rubens Furlan)”.

Em um dos momentos, ele berrou: “Não pisa na minha calçada, não pisa na minha rua. Eu vou te chutar na cara, f.. (outro palavrão).

Pedido de desculpas

Após o episódio, também circulou nas redes sociais vídeo em que o empresário pede desculpas aos policiais. “Não quero me eximir da minha responsabilidade. Sei que vou responder por isso, sei que as consequências vão vir, mas estava na minha casa, estou em tratamento psiquiátrico, estava naquele momento sob o efeito de álcool, de remédios e aquilo me transtornou a cabeça. Eu agi de maneira injustificável, como eu nunca deveria ter agido e falado coisa que jamais faria na minha sã consciência”, afirma Ivan na gravação.

* Com informações do Estadão Conteúdo