MP-SP denuncia Paulo Skaf por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e caixa 2

  • Por Jovem Pan
  • 28/04/2020 09h22 - Atualizado em 28/04/2020 09h36
Fepesil/Estadão ConteúdoO presidente da Fiesp concorreu ao governo do Estado em 201 e teve sua campanha no horário eleitoral gratuito dirigida por Duda

Uma força-tarefa constituída pelo Ministério Público de São Paulo e pela Procuradoria Regional Eleitoral para atuar nos casos investigados no âmbito da Operação Lava Jato denunciou nesta segunda-feira (27) o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o empresário Marcelo Odebrecht e o publicitário Duda Mendonça.

A denuncia prevê os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de caixa 2 em montante superior a R$ 5 milhões, que teriam sido recebidos ilegalmente por Skaf na campanha eleitoral de 2014 quando ele concorreu ao governo do Estado de São Paulo.

De acordo com os promotores, entre 21 de agosto e 30 de outubro de 2014, houve diversos pagamentos realizados em hotéis de São Paulo a representantes de “Kibe” e “Tabule”. Esses seriam os codinomes utilizados pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht para identificar Skaf como um dos beneficiários.

O presidente da Fiesp concorreu ao governo do Estado em 2014 e teve sua campanha no horário eleitoral gratuito dirigida por Duda. Outras seis pessoas são acusadas de terem participado dos delitos, incluindo Paulo Luciano Rossi, que é irmão do deputado Baleia Rossi.

O montante, na ordem dos R$ 5 milhões, bancou a atuação do publicitário na campanha eleitoral de Skaf e nada disso foi declarado na prestação de contas do então candidato do PMDB — hoje MDB. A ação fere o artigo 350 do Código Eleitoral.

O financiamento ilegal teria sido acertado em uma reunião no Palácio do Jaburu com a cúpula do PMDB. No encontro estariam Marcelo Odebrecht, o então vice-presidente Michel Temer e Eliseu Padilha.

Na ocasião, teria sido acordada “a destinação da quantia de R$ 10 milhões para o PMDB, sendo que R$ 6 milhões para a campanha de Paulo Antônio Skaf ao governo do Estado de São Paulo, a ser paga pelo grupo Odebrecht, por meio do setor de operações estruturadas, circunstância confirmada por Marcelo Bahia Odebrecht e Fernando Migliaccio, os quais seriam pagos através de um contrato fictício com a empresa de Duda Mendonça”.

“Duda Mendonça igualmente confirmou ter recebido os valores do Grupo Odebrecht como parte do pagamento por serviços prestados à campanha de Paulo Antõnio Skaf ao Governo do Estado de São Paulo em 2014”, completa o documento.

A denuncia apresentada está inserida no contexto de oito ações penais ajuizadas perante a 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba que investiga agentes públicos e privados pela prática de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.

Essas ações tem origem nos 77 acordos de colaboração premiada firmadas por executivos da Odebrecht com PGR e homologados pelo STF. Os promotores de Justiça Fábio Bechara, Everton Zanella, João Santa Terra, Luiz Ambra e Tiago Cintra Essado assinaram a acusação.