Muitos deputados reverterão os votos que ofereceram na primeira denúncia, avalia líder do Podemos

  • Por Marina Ogawa/Jovem Pan
  • 22/09/2017 15h01 - Atualizado em 22/09/2017 15h24
Para Álvaro Dias, muitos parlamentares poderão mudar de opinião: “imagino que muitos reverterão o voto que ofereceram na primeira denúncia"

Na expectativa da Câmara dos Deputados votar a denúncia contra o presidente Michel Temer, há também a possibilidade de um novo “balcão de negócios” ser instaurado na Casa e no Palácio do Planalto. O peemedebista, que prometeu cargos e emendas a deputados na ocasião da primeira denúncia pode agir da mesma maneira para conseguir barrar a nova denúncia feita pelo agora ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, o líder do Podemos no Senado, Álvaro Dias (PR), afirmou que a dificuldade do presidente agora é maior não só pela consistência jurídica e as provas importantes que asseguram o conteúdo da denúncia, mas também para com os deputados. “A dificuldade maior agora é porque não houve o cumprimento de alguns compromissos assumidos por ele na primeira denúncia, e os que votaram favoravelmente apanharam muito e sofreram as consequências do voto”, disse o senador.

Para Álvaro Dias, muitos parlamentares poderão mudar de opinião: “imagino que muitos reverterão o voto que ofereceram na primeira denúncia. Não há ainda a possibilidade de fazer avaliação definitiva, mas as possibilidades de ele preservar seu mandato agora são menores do que já foram”.

O senador disse ainda acreditar na possibilidade de a denúncia conseguir os 308 votos necessários para seguir para análise do Supremo Tribunal Federal. “Essa possibilidade existe e é real. Acho que reunir os votos necessários para impedir a instauração dos procedimentos por parte do Supremo agora é mais complexo do que foi na primeira denúncia”, afirmou.

Sobre a figura do presidente Michel Temer, o senador, que foi o primeiro presidenciável a pedir a saída do peemedebista, relembrou que esta é a primeira vez na história que um mandatário da República é denunciado pela PGR no exercício do mandato.

“É um retrato dos tempos que estamos vivendo. Nos últimos anos, nos dois governos, petista e peemedebista, consagraram a incompetência de forma absoluta e abriram portas para a corrupção, o que nos leva a ter que conviver com um Governo que é denominado pelo [então] procurador-geral como organização criminosa”, finalizou.