“Não aceito receber Guilherme Boulos”, diz prefeito de São Bernardo Orlando Morando

  • Por Jovem Pan
  • 02/11/2017 16h10 - Atualizado em 02/11/2017 16h54
Jovem Pan O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB)

Em entrevista a Augusto Nunes no programa Perguntar Não Ofende, o prefeito de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Orlando Morando (PSDB), disse que não negocia com Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que ocupa terreno na cidade com centenas de famílias.

O tucano também falou sobre o presidente licenciado do partido, senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado de corrupção após gravações de Joesley Batista, e criticou o PSDB, que, segundo ele, vive “crise de identidade”, por não expulsar o mineiro da sigla.

Ocupação

“Eu não aceitei nem vou aceitar receber Guilherme Boulos porque entendo que não é meu papel. O terreno é privado”, disse. “Eu não posso infringir leis. Agora, se tiver algum caminho respeitando a lei, estou à disposição”, afirmou.

Morando disse ainda que lhe causou “uma certa estranheza ver o secretário de Habitação (do governo Alckmin, Rodrigo Garcia) no caminhão de som do movimento (MTST)”, quando milhares de pessoas ligadas ao grupo marcharam até o Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi (algumas vindas de São Bernardo), cobrar Geraldo Alckmin sobre política habitacional, nesta última semana.

Morando disse que avisou o dono da construtora dona do terreno ocupado no dia em que ele foi invadido e contou o imbróglio judicial que se dá em torno dos pedidos de reintegração de posse do espaço.

Sobre a próxima reunião de que a Prefeitura vai participar no dia 11 de dezembro, Morando informou que vai “auxiliar a Justiça no cumprimento da reintegração de posse”, já decidida. Ele espera que a questão seja resolvida “ainda neste ano”. “Não é um negócio agradável”, afirmou o prefeito, em referência à vizinhança que se incomoda com a ocupação. O prefeito também chamou os moradores que habitam no terreno como “massa de manobra política” e lembrou que “durante o governo do PT não houve invasão”.

O prefeito disse que “a Prefeitura não vai desapropriar o terreno” e que os programas habitacionais da cidade darão prioridade aos inscritos no cadastro de São Bernardo do Campo.

“Eu não posso misturar o meu programa habitacional com um ‘programa habitacional’ de terceiro”, afirmou ainda o prefeito, em referência ao MTST. Morando enfatizou que não pode “furar a fila” do cadastro municipal por “pressão”.

“PSDB vive crise de identidade”

“Nosso compromisso deve ser em aprovar reformas e não em fazer parte de um governo que eu não ajudei a eleger”, disse, em referência ao governo Michel Temer. Ele disse que “não vêm” mais boas propostas de reformas, disse-se desconfiado da aprovação das mudanças na Previdência e classificou como “vergonhosa” a reforma política e a criação de um fundo bilionário para bancar as campanhas do ano que vem.

Sobre Aécio Neves, investigado no STF após ser gravado pedindo R$ 2 milhões para Joesley Batista, o que ele nega ser propina, Orlando Morando disse: “o PSDB passa uma crise de identidade gravíssima. Primeiro, não estamos fazendo em casa o que a gente cobrou do adversário. Não dá para passar ileso essa posição do Aécio, que é isso?”

“Nenhuma punição, nenhum afastamento, não têm coragem de destituí-lo do cargo de presidente do partido. Eu não compactuo, não concordo e faço a crítica pública”, afirmou.

“O que o PSDB permite do Aécio hoje não nos permite cobrar da oposição”, disse ainda.

Ele falou ainda sobre as prévias do PSDB para as eleições do ano que vem. “Enquanto o Lula está andando o Brasil todo fazendo campanha, nós estamos discutindo o presidente do partido, não é nem quem será o presidente da República. Quer dizer, é um autoflagelo”, classificou.

Morando defende a permanência de senador Tasso Jeiressati, interino, na presidência do PSDB e vê o nome do governador Geraldo Alckmin como “um bom nome para unir o PSDB” para liderar a sigla.

Outros temas

Orlando Morando falou também sobre programas educacionais da Prefeitura de São Paulo, cortes de gastos do orçamento e a importância da indústria automobilística para a economia da cidade.

O prefeito criticou a forma de distribuição de recursos da União. “O governo federal ainda é o grande arrecadador e distribui com a caneta da bondade”, disse. “Isso é errado”, afirmou, defendendo uma repasse com critérios de gastos mais definidos.