Não é saudável que antigo presidente queira voltar a ser presidente, diz FHC

  • Por Estadão Conteúdo
  • 27/02/2018 13h57
DivulgaçãoAo falar de Lula, FHC disse que o petista mantém o controle no partido, diferente dele, que não influencia nas decisões partidárias do PSDB
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta terça-feira, 27, que ex-presidentes não participem de novas eleições no País. Ao falar sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta reverter condenação em segunda instância e estar no pleito, o tucano repetiu que gostaria de ver o petista “derrotado” nas eleições.

“Não é saudável que um antigo presidente queira voltar a ser presidente”, disse Fernando Henrique, durante entrevista no Fórum Estadão: A reconstrução do Brasil, organizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, na capital paulista. Para ele, ou se estabelece um mandato presidencial de seis anos ou se permite a reeleição. “Em quatro anos não se faz nada de duradouro.”

Declarando que nunca capitaneou nenhum tentativa de voltar ao poder, ele afirmou que um presidente tem o direito de buscar reeleição e “não mais” mandatos depois disso, como normalmente ocorre nos Estados Unidos.

Ao falar de Lula, FHC disse que o petista mantém o controle no partido, diferente dele, que não influencia nas decisões partidárias do PSDB, conforme alegou.

Presidenciáveis

Apontado como um dos responsáveis por “cristianizar” a pré-candidatura do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ao Planalto ao ter incentivado nomes com Luciano Huck, Fernando Henrique afirmou que o governador paulista tem condições de vencer a eleição. “Penso que tem chance de ganhar, não estou em um comício dizendo que vai ganhar. Depende do desempenho que tiver”, afirmou.

Ele negou ter incentivado candidaturas de Huck, do empresário Flávio Rocha e do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Ao falar do petista, chegou a falar que Haddad é seu candidato no PT, em provocação ao ex-presidente Lula.

Ao comentar sobre outros pré-candidatos à Presidência da República, o tucano declarou que não sabe se o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) “tem pensamento” e que o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) demonstra não ter rumo definido ao ter mudado constantemente de partido nos últimos anos.

“Bolsonaro simboliza o autoritarismo que cresce em função da violência. Ele aparece como força que quer ordem, mas não tem pensamento liberal, não sei se tem pensamento”, disse FHC. Ele afirmou duvidar que um candidato “reacionário” como Bolsonaro encontre quantidade de votos suficientes para ser eleito.

Sobre Ciro Gomes, Fernando Henrique afirmou que o ex-ministro cresceu sendo iconoclasta e que ele é muito “instável” do ponto de vista político. Para FHC, Ciro faz um jogo de ir contra qualquer pessoa que “manda” nos partidos em que fez parte.