“Não renunciarei”, diz Michel Temer

  • Por Jovem Pan
  • 18/05/2017 16h14
DF - JBS/TEMER/PRONUNCIAMENTO - POLÍTICA - O presidente da República, Michel Temer (PMDB), faz pronunciamento no Palácio do Planalto, em Brasília, na tarde desta quinta-feira, 18, após as acusações de que ele teria dado aval para compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conforme acusou o executivo da JBS, Joesley Batista, em sua delação premiada. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), abriu um inquérito contra Temer a pedido da Procuradoria-Geral da República, em um desdobramento dos conteúdos apresentados pelos empresários Joesley e Wesley Batista em acordo de colaboração premiada homologado pelo ministro, por tentativa de obstrução das investigações na Operação Lava Jato. 18/05/2017 - Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDOMichel Temer faz pronunciamento oficial e diz que não renunciará

Em declaração oficial à imprensa, o presidente Michel Temer afirmou que não renunciará ao cargo de presidente da República. Ele afirmou ainda que irá provar no Supremo Tribunal Federal de que não negociou o silêncio de Eduardo Cunha, como foi dito por Joesley Batista, em delação premiada à Procuradoria-Geral da República. “Repito e ressalto, em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado. Não comprei o silêncio de ninguém. Por uma razão singelíssima: exata e precisamente porque não temo nenhuma delação”, afirmou.

“Quero registrar que a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território onde surgirão todas as explicações e no Supremo demonstrarei não ter nenhum envolvimento com esses fatos. Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei dos meus atos. Exijo investigação rápida”, disse em tom categórico.

O presidente afirmou ainda que pediu, durante esta quinta-feira (18), o conteúdo das gravações e que, por isso, demorou para realizar um pronunciamento oficial. “Desde logo ressalto que só falo agora, que os fatos se deram ontem, porque tentei conhecer, primeiramente, o conteúdo de gravações. Solicitei, aliás, ao Supremo, acesso a esses documentos, mas até o presente momento não o consegui”, afirmou.

Ele declarou ainda que seu Governo viveu nesta semana o seu pior e melhor momento referindo-se aos indicadores da inflação e números favoráveis a um retorno ao crescimento da economia, além de dados positivos de geração de emprego. O peemedebista exaltou a “esperança de dias melhores”, o retorno do otimismo e o avanço das reformas.

Na avaliação do presidente, a revelação da conversa gravada com Joesley Batista, a qual ele julgou como “clandestina”, trouxe de volta o “fantasma da crise política de proporção ainda não dimensionada”.

“Portanto, todo um imenso esforço de retirar o País de sua maior recessão pode se tornar inútil. E não podemos jogar no lixo da história tanto trabalho feito em prol do País”, declarou.

O presidente da República ainda afirmou que não precisa de cargo público e nem de foro privilegiado, pois não possui nada a esconder: “sempre honrei meu nome e nunca autorizei que utilizassem meu nome indevidamente”.

Temer ainda finaliza pedindo celeridade nas investigações e acusa, novamente, uma “clandestinidade” da gravação: “essa situação de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas não podem retardar nas investigações. Meu único compromisso é com o Brasil, e é só este compromisso que me guiará”.

Confira o pronunciamento completo: