Mapa da Mina: Lava Jato investiga repasses para empresa de Lulinha

  • Por Jovem Pan
  • 10/12/2019 09h19 - Atualizado em 10/12/2019 11h04
Alex Silva/Estadão ConteúdoO inquérito policial teve início após evidências colhidas na 24ª fase da Operação e tem como foco principal apurar crimes de corrupção

Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, um dos filhos do ex-presidente, voltou ao noticiário policial nesta terça-feira (10). A 69ª fase da Operação Lava Jato — batizada de Mapa da Mina — investiga repasses do grupo Oi/Telemar para a Gamecorp/Gol, empresa na qual é sócio junto com Fernando Bittar e Kalil Bittar e o empresário Jonas Suassuna.

Quarenta e sete mandados de busca e apreensão são cumpridos por 200 policiais federais nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Distrito Federal durante essa manhã. Os mandados foram expedidos pela 13ª Vara Federal em Curitiba, no Paraná.

Segundo a Polícia Federal, os suspeitos da atual fase da operação poderão responder por corrupção ativa e passiva, organização criminosa, tráfico de influência internacional e lavagem de dinheiro.

Aletheia

Articulada em cooperação com o Ministério Público Federal e Receita Federal, a operação tem como referência uma planilha descoberta durante a 24ª fase da Lava Jato, a Aletheia, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi levado para depor em condução coercitiva. No arquivo eletrônico, constariam indícios sobre as fontes de recursos da empresa de maior porte investigada.

“Os contratos sob investigação foram celebrados com grandes companhias operadoras de telefonia, internet e TV por assinatura atuantes no país e no exterior e as evidências indicam que os serviços contratados pelo citado grupo econômico nos principais casos foram realizados em patamares ínfimos ou não foram prestados, apesar dos pagamentos recebidos integralmente”, informou a Polícia Federal.

O montante de repasses apurados até o momento chega a R$ 193 milhões – ocorridos entre 2005 e 2016.

‘Nuvem de livros’

A Lava Jato investiga ainda “indícios de irregularidades no relacionamento” entre a Gamecorp/Gol e a Vivo/Telefônica no âmbito do projeto “Nuvem de Livros”. A Procuradoria identificou movimentação de R$ 40 milhões entre a Movile Internet Móvel, empresa do grupo Telefonica/Vivo, e a Editora Gol entre 15 de janeiro de 2014 e 18 de janeiro de 2016.

De acordo com a Lava Jato, paralelamente aos repasses para o grupo Gamecorp/Gol, a Oi/Telemar foi “beneficiada” pelo governo federal com decisões políticas e administrativas no setor de telecomunicações – “a exemplo do Decreto nº 6.654/2008, assinado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que permitiu a operação de aquisição da Brasil Telecom pelo grupo Oi/Telemar”.

Os investigadores dizem ainda que há evidências de que a Oi/Telemar também foi beneficiada pela nomeação de conselheiro da Anatel.

Segundo a Lava Jato, contratos, notas ficais e dados extraídos a partir do afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, indicam que as empresas do grupo Oi/Telemar investiram e contrataram a Gamecorp/Gol sem a cotação de preços com outros fornecedores, “fizeram pagamentos acima dos valores contratados e praticados no mercado, assim como realizaram pagamentos por serviços não executados”.

José Dirceu

A Operação Mapa da Mina apura ainda suspeitas sobre repasses efetuados pelo grupo Oi/Telemar para a empresa R.T Serviços Especializados, a qual foi utilizada para o custeio de diversas despesas do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e de pessoas a ele relacionadas. “Evidências apontam que José Dirceu também participou ativamente de interlocuções em favor do grupo Oi/Telemar com o Governo Federal”, destacam os procuradores.

O grupo Gamecorp/Gol é integrado pelas empresas G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, Gamecorp, Editora Gol, Gol Mídia, Gol Mobile, Goal Discos, Coskin, PJA Empreendimentos e PDI.

Defesa

“A Oi informa que atua de forma transparente e tem prestado todas as informações e esclarecimentos que vêm sendo solicitados pelas autoridades, assegurando total e plena colaboração com as autoridades competentes”, disse a empresa por meio de nota.

Com informações da Agência Brasil e do Estadão Conteúdo